Prevista pelo Código Florestal, Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo é sancionada em meio a recordes de incêndios florestais no Brasil 

Na última quarta-feira (31) foi sancionada pelo Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, a lei n° 14.944/2024 que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) em todos os biomas brasileiros.  

Aprovada pelo Senado Federal no início de julho, a política já era prevista pelo artigo 40º da lei de proteção à vegetação nativa (12.561/2012), o Código Florestal, desde 2012.  

A lei de proteção da vegetação nativa previa o estabelecimento, por parte do governo federal, de uma Política Nacional de Manejo e Controle de Queimadas, Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais capaz de promover a articulação institucional com vistas na substituição do uso do fogo no meio rural, no controle de queimadas, na prevenção e no combate aos incêndios florestais e no manejo do fogo em áreas naturais protegidas. 

Até então, o país não possuía um marco regulatório que estabelece diretrizes com foco em prevenção e combate integrado a incêndios florestais no Brasil com ênfase em planejamento e controle. O texto impõe regras do uso de fogo, define tipos de queima e ainda dispõe sobre autorizações, instâncias de gestão de incêndio e órgãos implementadores da política. 

A lei reconhece, ainda, as práticas controladas por comunidades tradicionais e povos indígenas como ambientalmente benéficas e incentiva a substituição do fogo por práticas sustentáveis. 

Para o secretário executivo do Observatório do Código Florestal (OCF), Marcelo Elvira, a aprovação da PNMIF representa uma mudança importante em relação à valorização dos conhecimentos ancestrais sobre o uso do fogo nos biomas brasileiros e também e um avanço na implementação da legislação de proteção da vegetação nativa“ Antes se falava muito em fogo zero e agora o foco é fazer o seu manejo controlado, ou seja, é o uso do fogo com técnicas, muitas vezes baseadas em conhecimentos tradicionais, que garantem a conservação ambiental. Isso é importante porque as queimadas estão piorando e a cultura do fogo zero não resolveu o problema”, comentou. 

A aprovação surge em um cenário de emergência ambiental causado por incêndios florestais relacionados ao desmatamento, uma vez que o fogo é utilizado para ‘limpar’ as áreas desmatadas. Além disso, os períodos de seca severa associados às mudanças climáticas também intensificam as queimadas em todos os biomas brasileiros. 

No Amazonas, estado que abriga grande parte da Amazônia brasileira, foram registrados, no mês de julho, mais de 4 mil focos de queimadas. Os dados, que são do Programa de BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), representam um novo recorde para o mês: é o mais alto em 26 anos. 

No mês de junho, o Pantanal brasileiro, bioma que apresenta a maior área úmida do planeta e é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera, também bateu recorde de incêndios florestais. O Cerrado e a Mata Atlântica também apresentaram números elevados de focos de queimada no 1º semestre de 2024. Foi um aumento de 32% e 47%, respectivamente, em comparação ao mesmo período do ano anterior.  

Já na Caatinga, o número de queimadas de 2023 foi o maior desde 2010, com mais de 21,5 mil focos de calor. 

FUNCIONAMENTO DA POLÍTICA NACIONAL 

Já em vigor, o texto sancionado pelo Governo Federal cria o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), responsável por facilitar a coordenação entre diferentes órgãos do governo e garantir a implementação eficiente das políticas de manejo integrado do fogo. 

Estabelece ainda o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman), coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que funciona como o braço operacional da PNMIF para operações de combate a incêndios. Além disso, cria o Sistema Nacional de Informações sobre Fogo (Sisfogo), banco de dados operado pelo Ibama que vai monitorar incêndios florestais e queimadas controladas no Brasil. 

Na prática, com a aprovação da política, o manejo do fogo passa a depender da regularização dos órgãos ambientais competentes, associado às necessidades de cada bioma e considerando suas particularidades ecológicas e culturais. 

Entre os benefícios da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), estão: 

  • Melhoria na prevenção e combate a incêndios florestais. 
  • Uso controlado do fogo para conservação ambiental e pesquisa. 
  • Maior integração e coordenação entre diferentes níveis de governo e órgãos ambientais. 
  • Apoio às práticas sustentáveis de comunidades tradicionais e indígenas. 
  • Aumento da segurança e eficácia das operações de combate a incêndios 

Campanha digital alerta sobre existência e importância do Código Florestal 

Peças de comunicação relacionam desenvolvimento do Brasil com necessidade de implementação da legislação de proteção da vegetação nativa 

Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa – todos os seis biomas que abrangem o território brasileiro são protegidos pela lei de proteção da vegetação nativa: o chamado Código Florestal (Lei n° 12.651/2012).  

É a legislação da qual depende a segurança hídrica, o crescimento econômico e a qualidade de vida da população brasileira.  

E é isso o que demonstra a nova campanha de comunicação do Observatório do Código Florestal. A série de peças abertas para divulgação reforçam a existência da legislação que ainda carece de devida implementação e a importância de tal para o Brasil.  

Os downloads das peças da campanha, de uso livre, podem ser feitos aqui.  

Para isso, a campanha faz o uso de referências visuais à vida rural no país, demonstrando a importância do estabelecimento de leis e limites e, como mensagem, relacionando a conservação ambiental com a qualidade de vida no país.   

Um dos objetivos é demonstrar que, apesar dos índices alarmantes de degradação ambiental nos últimos anos, o Brasil conta com uma legislação robusta, fruto de debates entre diversos setores do país, com o propósito de para proteger as florestas e vegetações nativas e manter a produtividade no meio rural. É urgente, portanto, sua devida implementação.  

A importância da lei ainda é evidenciada pela crise climática, cujos efeitos, advindos da degradação ambiental, impactam severamente a vida da população brasileira – seja pelo acesso à água ou por questões econômicas, como empregabilidade. 

Iniciativa ‘Nós do Mato’ apresenta conhecimentos da vida rural brasileira a partir das vivências de quem está no campo

Blog compartilha experiências de quem garante a proteção dos biomas e a alimentação das famílias 

O Código Florestal (Lei n° 12.651/2012), a lei de proteção da vegetação nativa, é a legislação que protege a vegetação nativa dos biomas brasileiros e garante a qualidade de vida e o bem-estar da população. Por isso, falar sobre a lei com quem vive o dia a dia do campo, lugar onde a maior parte da implementação do Código se dá, é imprescindível para avançar com a sua implementação e consequentemente promover uma produção agrícola mais sustentável.

É a partir desta  necessidade de comunicação e troca de saberes que surgiu o Nós do Mato. O blog tem como objetivo informar de forma leve, simples e fácil quem mora no ‘Mato’ – quem efetivamente alimenta e sustenta o nosso país, principalmente para garantir a preservação do meio ambiente e uma produção sustentável.

A iniciativa surge do entendimento de que o meio rural promove um dos pilares fundamentais do Brasil, e ao promover conteúdos a partir desta realidade, é possível contribuir para o desenvolvimento sustentável, a troca de experiências e o fortalecimento da população rural. Por isso, o blog é uma fonte confiável onde produtores do campo podem falar a partir das suas vivências.

A iniciativa traz informação, conteúdo, entretenimento, dicas e reportagens sobre a vida rural no Brasil. Assim, o Nós do Mato mostra a importância e os benefícios do Código Florestal e se apresenta como um espaço aberto, para compartilhamento de experiências, colaboração e conhecimentos de todos aqueles que buscam contribuir com a proteção das florestas e da vida no campo. 

Publicação traz desafios e oportunidades para o avanço na implementação do Código Florestal em plena Década da Restauração da ONU

Lançada na Conferência SOBRE 2024, a edição é resultado de debates sobre a implementação dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) promovidos em seminários online em seis estados brasileiros e no contexto da União. Traz ainda outras contribuições da sociedade civil na temática

O Diálogo Florestal, o Observatório do Código Florestal (OCF) e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura lançaram, na última quinta (11), durante a V Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE+10), em Juazeiro (BA), a publicação “Desafios e oportunidades dos programas de regularização ambiental”.

O trabalho sintetiza as discussões sobre os Programas de Regularização Ambiental (PRAs) e Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e Alteradas (PRADAs) no Brasil, fruto da segunda série de webinars realizados entre 2022 e 2023, que aborda os desafios e avanços na implementação do Código Florestal (Lei n° 12.651/2012)l em estados como Santa Catarina, Pernambuco, Pará, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso, e no contexto da União.

O lançamento da publicação ocorreu no Simpósio que levou a temática como foco do debate durante a Conferência SOBRE +10, na presença dos palestrantes: Fernanda Rodrigues, do Diálogo Florestal, Beto Mesquita (BVRio), representando a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Rafael Bitante Fernandes (SOS Mata Atlântica), representando o Observatório do Código Florestal (OCF) e, Marcus Vinicius da Silva Alves, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

Segundo as pessoas que palestraram no simpósio, os Programas de Regularização Ambiental (PRAs) não devem ser vistos como um atraso na implementação do Código Florestal, mas como instrumentos essenciais para a aplicação da lei.

O diretor de regularização ambiental rural do Serviço Florestal Brasleiro (SFB), Marcus Vinicius da Silva Alves, afirmou que “a recomposição é obrigatória e o PRA não deve representar um obstáculo para o cumprimento da lei, somente permite o disciplinamento de processos”. Segundo Rafael Fernandes (OCF), todos os municípios devem se apropriar do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA) para usufruir dos benefícios da restauração. Já o representante da BVRio, Beto Mesquita (Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura), reforçou que devemos adotar a implementação do Código Florestal como vetor de desenvolvimento para alavancar o PIB e potencializar a economia do país.

Para a coordenadora executiva do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues, seguir dialogando é fundamental para a construção coletiva de soluções entre os setores. “A publicação surge em um momento crucial, alinhando-se à Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas e ao compromisso do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares. Se os estados avançarem na implementação do PRA em sinergia com a União, esta meta pode ser alcançada e superada apenas com o cumprimento das restaurações compulsórias”, afirma.

Essa convergência enfatiza a importância da regularização ambiental e da restauração florestal como pilares para o cumprimento de compromissos internacionais, incluindo a mitigação das mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade. Além disso, a restauração é capaz de gerar uma série de benefícios sociais, ambientais e econômicos, tanto localmente como para o país como um todo.

Desafios da Regularização Ambiental e Restauração no Brasil

Além de fornecer uma visão detalhada sobre os PRAs e PRADAs, a publicação destaca a necessidade de uma maior colaboração entre governos, sociedade civil, setor privado e instituições de ensino e pesquisa para superar os obstáculos e aproveitar as oportunidades da restauração florestal para alcançar os objetivos da Década da Restauração da ONU.

Um dos principais desafios destacados no documento é a necessidade de avanços na análise e validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) das propriedades. O processo enfrenta obstáculos consideráveis, tanto de base de dados e integração de sistemas como quanto para pequenos proprietários rurais. Facilitar este processo é essencial, pois pequenos produtores representam uma parcela significativa das propriedades agrícolas no Brasil, por outro lado priorizar é preciso, pois grande parte dos passivos está em um pequeno número de propriedades.

Outro desafio crítico é a inclusão de territórios de Povos e Comunidades Tradicionais no CAR. Essa inclusão é fundamental tanto para a preservação ambiental quanto para a proteção dos direitos dessas comunidades, que desempenham um papel primordial na conservação dos ecossistemas em todo o país.

A normatização para a adequação ambiental é outro destaque discutido na publicação. A harmonização das normas e a criação de mecanismos de apoio técnico e financeiro são apontadas como oportunidades para superar os obstáculos da regularização ambiental. A clareza normativa e um diálogo mais efetivo entre os diferentes atores envolvidos são essenciais para avançar nesta área.

Uma realização do Diálogo Florestal, Observatório do Código Florestal (OCF) e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, os webinários contaram com o apoio da Aliança pela Restauração na Amazônia, Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA). A publicação teve apoio ainda da BVRio / Planaflor e NICFI (Norway´s International Climate and Forest Initiative).

Simpósio debaterá a implementação de PRA e PRADAs em Conferência Nacional de Restauração Ecológica

Além de promover o debate, Diálogo Florestal junto com Observatório do Código Florestal e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura lançará publicação 

No próximo dia 11 de julho, das 10h30 às 12h, o Diálogo Florestal realiza, em conjunto com o Observatório do Código Florestal e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, o Simpósio sobre a “Implementação de PRA e PRADAs: lançamento de publicação e debate sobre perspectivas futuras”, que será realizado no Miniauditório 3 do Complexo Multieventos, durante a Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE +10). O evento acontece entre 8 e 12 de julho, nas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

O simpósio abordará a implementação de Programas de Regularização Ambiental (PRAs) e Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e/ou Alteradas (PRADAs) no Brasil, desafios e oportunidades para a governança dos PRA e PRADAs, além das perspectivas futuras para a restauração através dos cumprimentos desses dispositivos do Código Florestal. Na ocasião será lançada também um publicação que traz os debates realizados em seminários online realizados em seis estados brasileiros, entre eles, Santa Catarina, Pernambuco, Pará, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso, além do realizado para o contexto da União. A realização dos seminários online que deram origem à publicação é do Diálogo Florestal em conjunto com o Observatório do Código Florestal e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, e contou com o apoio da Aliança pela Restauração na Amazônia, Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA). A publicação também contou com apoio da BVRio, Planaflor e NICFI (Norway´s International Climate and Forest Initiative).

De acordo com a coordenadora executiva nacional do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues, tanto o lançamento da publicação como o debate previsto para o simpósio são fundamentais para trazer luz ao tema central da conferência “SOBRE + 10, que abordará o Futuro da Restauração”.

“O simpósio pretende discutir desafios e oportunidades na implementação dos PRA no Brasil, a situação atual, a governança da matéria e as perspectivas futuras”, ressalta.

A moderação ficará a cargo de Fernanda Rodrigues (Diálogo Florestal) junto a palestrantes convidados como Rafael Bitante (SOS Mata Atlântica), representando o Observatório do Código Florestal (OCF) e, Marcus Vinicius da Silva Alves, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), e Beto Mesquita (BVRio), representando a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

A Conferência SOBRE +10

A Conferência Brasileira de Restauração Ecológica é promovida a cada dois anos pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), reunindo especialistas e interessados na área de restauração ecológica para discutir e compartilhar conhecimentos e experiências.

Primeira série de webinars

No site do Diálogo Florestal pode ser encontrada a publicação que traz o resultado da primeira série de webinar. A série anterior, realizada em 2021, contou com 10 seminários que passaram por nove estados: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Rondônia, Pará e Mato Grosso do Sul e um último, no contexto da União. A realização foi liderada pelo Diálogo Florestal em parceria com a SOS Mata Atlântica e a Aliança pela Restauração na Amazônia com apoio do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, do Observatório do Código Florestal e da Frente Parlamentar Ambientalista. 

Serviço:

Simpósio “Implementação de PRA e PRADAs: lançamento de publicação e debate sobre perspectivas futuras”

Data: 11/07
Hora: 10:30 às 12:00
Local: Miniauditório 3 – Complexo Multieventos
Conferência: SOBRE +10
Link: Grade de Sessões Simultâneas

Acompanhe a gravação de todos os webinarswww.youtube.com/dialogoflorestal

[Notícia WWF-Brasil] Organizações socioambientais destacam a urgência de legislação robusta para a proteção do Pantanal

Novo texto precisa abordar medidas emergenciais e sustentáveis para preservar o bioma Pantanal

Por: WWF-Brasil, SOS Pantanal, EJF – Environmental Justice Foundation e Chalana Esperança

O WWF-Brasil, SOS Pantanal, EJF – Environmental Justice Foundation e Chalana Esperança em nota técnica divulgada dia 01/07/2024, ressaltam a urgência de uma legislação federal específica e robusta para a proteção do Pantanal. O bioma enfrenta uma situação alarmante, com 3.451 focos de incêndio registrados até a última quinta-feira (27), contra os apenas 157 do mesmo período do ano passado – um aumento de cerca de 2000%. Este cenário de seca extrema e ondas de calor agravam a degradação ambiental e ameaçam a biodiversidade da região.

A nota técnica aponta que modelos preditivos do Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ) Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ) indicam uma probabilidade de mais de 80% de perdermos uma área superior a dois milhões de hectares para o fogo este ano.

Necessidade de uma legislação efetiva

A Constituição Federal exige a elaboração de uma lei específica para assegurar a conservação do Pantanal. O Projeto de Lei (PL) n. 5482/2020, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, ainda carece de dispositivos concretos que garantam a preservação do meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais do bioma.

A nota técnica destaca áreas que necessitam de atenção específica, como a inclusão da proteção da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP) na legislação, o fortalecimento das brigadas de incêndios e a criação de mecanismos legislativos que determinem uma avaliação integrada de impactos ambientais. A conservação e recuperação do bioma também devem ser asseguradas por meio da implantação de novas unidades de conservação, fortalecimento das gestões das unidades existentes e políticas de desenvolvimento econômico sustentável.

 Os principais pontos da nova proposta incluem:

  • Inclusão da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai: Fundamental para a preservação do regime hídrico do Pantanal e a segurança jurídica dos povos tradicionais da região. Sem uma lei que olhe para a BAP, o Pantanal secará completamente e as queimadas se intensificarão cada vez mais, comprometendo o equilíbrio ecológico do bioma, a biodiversidade e o bem viver dos povos que ali habitam.
  • Fortalecimento das brigadas de incêndio: Incentivo à capacitação e criação de novas brigadas pantaneiras, além de reforço orçamentário para disponibilização de ferramentas e maquinário necessários, incluindo  aeronaves. É vital o fortalecimento do PREV-fogo/IBAMA, do corpo de bombeiros e das brigadas privadas e comunitárias regionalmente.
  • Avaliação integrada de impactos ambientais: Estabelecimento de critérios específicos para o licenciamento ambiental e restrições ao uso intensivo do solo. Somente assim será possível impedir a degradação em larga escala no bioma.
  • Conservação e recuperação do bioma: Implementação de novas unidades de conservação, fortalecimento das gestões das unidades existentes, restauração ecológica de cabeceiras e promoção de cadeias produtivas sustentáveis baseadas na sociobiodiversidade.
  • Apoio às comunidades tradicionais: Garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e comunidades tradicionais, além de valorização das práticas tradicionais e sustentáveis.

Compromisso com o futuro

Reforçamos a importância de uma abordagem integrada e focada na preservação ambiental para garantir a sobrevivência do Pantanal e das comunidades que dependem dele. As organizações que assinam a nota técnica conclamam os parlamentares brasileiros a redigir, votar e aprovar uma legislação que proteja e recupere o Pantanal, atendendo também às demandas globais de proteção do clima e da biodiversidade.

Sociedade civil organizada, setor produtivo e representantes governamentais debatem status do Código Florestal em audiência pública no Senado Federal  

Análise e validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a implementação do Programa de Regularização Ambiental (PRA) para restauração da vegetação nativa foram as principais pautas da audiência pública sobre o Código Florestal (Lei nº 1.2651/2012) na terça-feira, 18, na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), no Senado Federal.  

O evento idealizado pelo Observatório do Código Florestal (OCF) com apoio da Frente Parlamentar Mista Ambientalista (Fpamb) reuniu gestores governamentais, representantes da sociedade civil organizada, da indústria e do agronegócio a fim de debater status, desafios e oportunidades da legislação que completou doze anos de aprovação em maio.    

Para o deputado e presidente da sessão, Nilto Tatto (PT/SP), é urgente a necessidade de implementação da legislação de proteção da vegetação nativa diante dos efeitos cada dia mais comuns de eventos climáticos extremos.  

“É uma lei que interessa a todos, não só os ambientalistas, mas também o setor produtivo que já vêm sentido os efeitos climáticos por todo o país”, comentou.   

 A senadora Tereza Cristina (PP/MS), integrante da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), reforçou a necessidade de discussões para avanço da lei, cuja elaboração implicou em prolongadas discussões pelo setor legislativo e pela sociedade brasileira  

“A gente precisa ajudar os estados brasileiros a implementarem e analisarem e implementarem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o judiciário também. O Código Florestal é como uma rede, e cada vez que você ataca um pedaço, você desfaz uma célula e vai virando uma colcha de retalhos”, comentou a parlamentar.   

O debate contou com a participação do secretário executivo do Observatório do Código Florestal, Marcelo Marques Spinelli Elvira; da especialista sênior em Políticas Públicas no Observatório do Clima, Suely Araújo; da coordenadora executiva nacional do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues; da especialista em agricultura e sustentabilidade Laura Barcellos Antoniazzi, membro da coordenação da Araticum; e do diretor do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Queimadas do Ministério do Meio Ambiente, Raoni Guerra Lucas Rajão.  

A audiência também contou com as participações do representante da Organização das Cooperativas Brasileira (OCB), Leonardo Papp; do coordenador de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nélson Ananias Filho; do chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Territorial, Gustavo Spadotti Amaral Castro, do pesquisador do mesmo órgão, Felipe Ribeiro; da secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás, Andrea Vulcanis; do gerente de recursos naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Cardoso e da diretora do departamento de florestas da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (MMA), Fabíola Zerbini. 

Os desafios abordados pelos diferentes setores na audiência se concentraram nos dois principais instrumentos inaugurados pela lei aprovada: o Cadastro Ambiental Rural (CAR), inscrição eletrônica que permite a identificação do passivo ambiental, e o Programa de Regularização Ambiental (PRA), mecanismo que visa a implementação dos projetos para recuperação da vegetação nativa desmatada na área rural do país.

CAR: PRIMEIRA ETAPA E DESAFIO 

O secretário Raoni Rajão iniciou a audiência abordando os entraves encontrados na análise e validação do CAR, processo de responsabilidade dos Estados. 

De acordo com dados do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) citados pelo especialista no evento, apenas 1,5% dos cadastros, que somam mais de 7 milhões de inscrições em imóveis privados, tiveram análise concluída. Com a análise iniciada, o número sobe para 29%. 

Para o especialista, a adoção de incentivos econômicos para finalização da análise é uma das ações possíveis para agilizar o processo de análise do CAR. “Muitas vezes o produtor tem algum tipo de receio de responder e finalizar o cadastro, não tem incentivo. Às vezes quem recebe a notificação é um técnico que nem está mais à frente daquela propriedade”, comentou.   

Ao mesmo tempo, uma das questões levantadas na audiência pelos representantes do setor produtivo foram os efeitos da lentidão na análise do cadastro para os produtores rurais.   

O representante da CNA, Nelson Ananias Filho, citou as dificuldades encontradas pelo setor produtivo pela falta de validação do CAR, como acesso a crédito e programas de pagamentos por serviços ambientais.  

Desafios tecnológicos na análise, como a necessidade de automatização de alguns tipos de verificações e a integração de dados, também foram abordados pelos participantes da audiência como necessidades para o avanço na questão.  

A urgência da análise eficaz foi ressaltada pelo secretário executivo do OCF, Marcelo Elvira, que apontou que o CAR sem análise e validação é usado como ferramenta de pressão contra populações indígenas e tradicionais de seus territórios, além de grilagem pela invasão de florestas públicas não destinadas.   

O advogado citou um levantamento realizado pelo OCF no Amazonas, estado responsável por mais de 90% das sobreposições de CAR em florestas públicas não destinadas do país, de acordo com dados do Termômetro do Código Florestal (TCF). 

Iniciativa do OCF liderada pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), o Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta digital que promove a transparência de dados da implementação da legislação de proteção da vegetação nativa no país. 

Pela plataforma é possível checar o cumprimento dos principais instrumentos da lei, como o cadastramento no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), o remanescente de vegetação nativa e os passivos de Reserva Legal (RL) e Área de Proteção Permanente (APP) nos estados e municípios. A ferramenta foi apresentada na audiência pela pesquisadora do Ipam, Jarlene Gomes.  

“Temos um desafio grande com o tanto de área que precisa ser recuperada no Brasil”, comentou a especialista. A plataforma mostra um passivo ambiental de RL e APP de 19 milhões de hectares. 

Uma análise detalhada do OCF com base em um levantamento do Termômetro referentes ao período de 2022 a 2023 mostrou que o Amazonas registrou, entre janeiro de 2022 e maio de 2023, um aumento significativo de 65% na área cadastrada no estado. O número refere-se a cerca de 8 mil novos cadastros no período.  

Dos mais de oito mil cadastros, apenas 597 são responsáveis por boa parte da área cadastrada. O número refere-se aos grandes imóveis rurais, ou seja, que contabilizam mais de 15 módulos fiscais. No Amazonas, cada módulo fiscal pode chegar a 110 hectares.  

Mais da metade desses imóveis grandes, 77% (458, ao total) são imóveis privados sobrepostos a unidades de conservação (UCs), terras indígenas (TIs) e florestas públicas não destinadas, o que torna a situação dos cadastros irregular.   

 A sobreposição indica um grave problema nos registros do CAR, uma vez que essas terras não são passíveis de validação no cadastro.  

No levantamento realizado, 89% dos cadastros constavam como ativos, 5% pendentes e 6% suspensos. Os graus de sobreposição variam, mas 53 dos cadastros de imóveis grandes em UCs registram 100% de sua área sobreposta. No caso das TIs, três cadastros também contabilizaram cobertura completa na área protegida por lei.  

Ainda, se o número de cadastros é grande para imóveis rurais e a necessidade é de análise e validação, os assentamentos e comunidades quilombolas e tradicionais enfrentam situação diferente quando o assunto é CAR: o cadastramento.  

Em sua fala, Marcelo relembrou a falta de avanço no cadastramento do módulo CAR PCTs, que conta com pouco mais de 3 mil inscrições em mais de uma década de aprovação da lei.  

RESTAURAÇÃO: UMA URGÊNCIA (POSSÍVEL) FRENTE A CRISE CLIMÀTICA  

Se a primeira etapa da lei enfrenta desafios significativos, a regularização ambiental por meio da recuperação e restauração da vegetação nativa ainda parece distante da realidade do país, mas cada dia mais urgente. 

Os representantes das organizações da sociedade civil foram unânimes na avaliação do papel da restauração para a mitigação dos efeitos da crise climática. 

A representante do Observatório do Clima, Suely Araújo, lembrou que, no Brasil, o uso da terra responde por 48% da emissão de gases de efeito estufa do país, o que dá peso à necessidade de proteção da vegetação nativa pelo combate ao desmatamento e pela restauração. 

Os Programas de Regularização Ambiental (PRA), segunda etapa de implementação da lei, carecem de devida implementação e funcionamento por boa parte dos estados brasileiros. 

Apesar disso, a coordenadora do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues, ressaltou a necessidade de avanços e amadurecimento nos desafios do PRA independentemente da análise do CAR.  

“Já temos estados implementando e com iniciativas interessantes”, disse. Entre os desafios colocados pela especialista, está a necessidade de aprimoramento de ferramentas de monitoramento de acompanhamento da recuperação das áreas. 

Trazendo a experiência da Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), Laura mostrou que existe um preparo de conhecimentos, saberes e ferramentas que torna a restauração possível, mas falta incentivo político.  

“A experiência tá aí pra mostrar que é possível restaurar os milhões de hectares que o Brasil e o mundo precisam”, disse. 

Já a secretária Fabíola Zerbini, no início da exposição, abordou outras políticas públicas que atuam como impulsionadoras da lei ao lembrar que a meta estabelecida de recuperação de 12 milhões de hectares de vegetação nativa do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foi delimitada com base no passivo ambiental de áreas de APPs e RL, identificado à época da elaboração e aprovação do plano, em 2015.   

O tamanho da área também é a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, em português) do país. As NDCs são metas climáticas voluntárias estabelecidas por países para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e contribuir para a estabilização do aquecimento global. Essas metas são definidas nacionalmente e são registradas publicamente pelo sistema da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC). 

“Todo arcabouço estratégico e político desse plano vem para ajudar os produtores, estados e governo a fazer essa grande concertação da implementação do Código Florestal”, comentou a especialista. 

PROTEÇÃO DA LEGISLAÇÃO 

Marcelo Elvira ainda enfatizou a importância da implementação da lei e descartou a necessidade imediata de alterações para aprimoramento.  

De acordo com o especialista, a ênfase deve estar na aplicação efetiva das regras atuais, com um foco na transparência de dados, validação do CAR, implementação do PRA, fortalecimento das estruturas de fiscalização e apoio técnico. 

“A legislação é robusta, o que precisamos é de recursos, vontade e direcionamento para enfrentar os desafios”, comentou.  

Os especialistas citaram as recentes tentativas de flexibilizações do Código que avançam no Congresso Nacional. 

“Não vai ser por um PL que muda a proteção da Reserva Legal na Amazônia que a gente vai conseguir implementar o Código, nem por uma lei que vai mudar o regramento sobre área de preservação permanente para permitir barramento que vai facilitar a implementação”, comentou ao se referir ao o projeto de lei (PL) 3334/2023, que reduz a área de Reserva Legal (RL) em áreas de florestas da Amazônia Legal de 80% para 50%, e o 2168/2021, que flexibiliza a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs). 

Suely também citou as medidas como parte do chamado Pacote da Destruição, conjunto de leis que preveem flexibilizações no regramento ambiental do país. “E que nos coloca sob risco diante da situação emergencial que vivemos”, comentou.  

Texto: Júlia Beatriz Oliveira / Apoio: Anna Francischini

Código Florestal é tema de audiência pública no Senado Federal

Evento acontecerá na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas no Senado Federal na próxima terça-feira (18)

Os mais de 19 milhões de hectares de vegetação nativa a serem restaurados no Brasil de acordo com a legislação brasileira representam um dos desafios que devem ser abordados por uma audiência pública na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) do Senado Federal na próxima terça-feira, 18. Os dados são do Termômetro do Código Florestal

O evento reunirá especialistas da comunidade científica e da sociedade civil organizada, além de representantes de órgãos ligados ao setor produtivo e do governo federal.

Dentre os convidados, participarão Suely Araujo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima; Laura Barcellos Antoniazzi, pesquisadora sênior e sócia da Agroicone e coordenadora da Araticum; Fernanda Rodrigues, coordenadora executiva do Diálogo Florestal; Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório do Código Florestal e Jarlene Gomes, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam).

A audiência pública tem como objetivo promover discussões sobre os desafios e atual estágio da implementação do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) no país, que completou doze anos de aprovação em maio e ainda carece de avanços para sua total implementação.

Idealizada pelo Observatório do Código Florestal (OCF) com apoio da Frente Parlamentar Mista Ambientalista (FPAmb) e da CMMC, a audiência foi motivada também pela urgência da aplicação da lei como meio de adaptação e mitigação dos efeitos da crise climática, cada vez mais urgentes no país que sofre eventos extremos desoladores como o Rio Grande do Sul.

“O Código atua como um instrumento que ajuda de forma significativa na adaptação e mitigação desses efeitos”, comenta Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório.

A vegetação nativa tem um papel de reguladora do clima local, capaz de amenizar efeitos de eventos extremos, além de promover a mitigação por meio do sequestro de carbono. 

O evento reunirá especialistas da comunidade científica e da sociedade civil organizada, além de representantes de órgãos ligados ao setor produtivo e do Governo Federal.

Apesar dos avanços na primeira etapa da lei para imóveis rurais privados, categoria que soma mais de 7,1 milhões de inscrições no Cadastro Ambiental Rural (CAR) de acordo com dados do último boletim do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), a análise e validação dos cadastros ainda enfrentam desafios significativos com uma porcentagem mínima validada. 

A lentidão na análise impacta diretamente a segunda etapa da lei, que deve promover a regularização ambiental de imóveis rurais com déficit ambiental por meio da restauração de vegetação nativa por meio do Programa de Regularização Ambiental (PRA), tema que deve ser abordado na audiência. 

“A lei propõe soluções possíveis para o cenário que estamos vivendo. Uma delas é a restauração da vegetação nativa, por isso a urgência de sua implementação”, complementa Marcelo, especialista em direito ambiental. 

A audiência ainda deve tratar dos impactos na conservação da biodiversidade, o potencial econômico e de geração de empregos e a contribuição da lei para a segurança alimentar, hídrica e energética da população brasileira.  

Serviço

O evento acontecerá  no Plenário nº3, na Ala Senador Alexandre Costa, Anexo II do Senado Federal às 14h (horário de BSB) e será transmitido ao vivo pelo Youtube da TV Senado.  

Marcelo Elvira é novo secretário executivo do Observatório do Código Florestal 

Seleção foi conduzida pelo Comitê Executivo do OCF

Especialista em direito ambiental, o advogado Marcelo Spinelli Elvira é o mais novo secretário executivo do Observatório do Código Florestal, uma rede de 45 organizações da sociedade civil que monitora a implementação da lei de proteção da vegetação nativa do Brasil (Lei 12.651/2012). 

Marcelo é formado em direito pela PUC/SP, tem especialização em direito ambiental pela mesma universidade e em cultura de paz pela Universitat Autónoma de Barcelona. Com uma experiência de mais de seis anos em escritórios especializados em direito ambiental, sobretudo em casos envolvendo a aplicação do Código Florestal, Marcelo também atuou por mais de quatro anos na agenda de incidência e articulação política e litigância no WWF Brasil, membro fundador da rede do Observatório.  

Na organização, atuou principalmente nas agendas de combate a desmatamento e grilagem, proteção do Cerrado e implementação da legislação ambiental. Agora, soma experiência na gestão da secretária executiva do Observatório, que completou doze anos de atuação nesse ano.  

A seleção foi feita pelo Comitê Executivo do OCF, formado pelas organizações Amigos da Terra (Adt), Iniciativa Verde, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Socioambiental (ISA), Ipam Amazônia, Lagesa/UFMG, SOS Mata Atlântica, The Nature Conservancy (TNC) e WWF-Brasil.

NOVOS DESAFIOS, NOVAS AÇÕES 

A emergência climática cujos efeitos são cada dia mais sentidos pela população brasileira é o principal motivo para a aceleração na implementação da lei, que carece ainda de avanços.  

Nos últimos anos, ainda, as discussões em prol da implantação da legislação foram paralisadas ou dificultadas. “Passamos alguns anos sem conseguir discutir e implementar as agendas ambientais por causa de um governo negacionista”, comenta Marcelo. “Agora temos espaço e abertura no Executivo, apesar da dificuldade ainda no Legislativo”, avalia o especialista. 

Atualmente, diversos projetos de lei com graves flexibilizações à legislação ambiental brasileira avançam na tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. É o chamado “Pacote de Destruição”.  

A fim de caminhar rumo à implementação do Código e evitar retrocessos, o diálogo entre diferentes setores da sociedade é crucial, mostram os especialistas. A efetividade das ações requere um esforço coletivo de iniciativa privada, órgãos públicos e sociedade civil.  

“É preciso que os diferentes setores interessados enxerguem que a implementação da legislação é essencial para um Brasil mais democrático, próspero, justo, produtivo e igualitário”, comenta o advogado.  

Se a vegetação nativa desempenha papel fundamental na adaptação e mitigação dos efeitos da crise climática, o Brasil ainda está em débito na proteção dos biomas e restauração do que foi degradado.  

Para enfrentar os novos desafios impostos nesse momento do Observatório, a nova fase de atuação deve buscar ainda mais pluralidade de conhecimentos.  

Marcelo ressalta a importância da rede se consolidar como centro de discussão de novos saberes. “É crucial que estejamos conectados com os saberes tradicionais do Brasil para que essa lei avance”, finaliza o secretário executivo.  

Organizações da sociedade civil firmam acordo de cooperação técnica com Ministério Público do Rio de Janeiro para combate ao desmatamento na Mata Atlântica

Acordo prevê produção e monitoramento de informações de uso do solo de imóveis rurais privados

A Mata Atlântica é um dos biomas mais devastados do país e para conter o desmatamento do bioma, a transparência de dados e informações sobre o uso da terra é fundamental. 

Para colaborar nessa tarefa, o  Observatório do Código Florestal (OCF), o Instituto de Direito Coletivo (IDC) e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) firmaram um acordo de cooperação técnica para a produção e transferência de dados e informações sobre as irregularidades do uso e cobertura do solo no estado. 

O objetivo é combater o desmatamento e avançar na restauração da Mata Atlântica a fim de  fomentar a preservação dos serviços ambientais e a biodiversidade na região de acordo com as normas previstas pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012).

De acordo com dados do Termômetro do Código Florestal, o Rio de Janeiro possui mais de 126 mil hectares de déficit de vegetação nativa a ser recuperada em imóveis rurais privados.

Pelo acordo, o Observatório do Código Florestal (OCF) e o Instituto de Direito Coletivo (IDC) fornecerá subsídios técnicos sobre o uso do solo para cinco municípios do estado a partir de uma seleção das 10 propriedades rurais privadas com as maiores proporções de passivo, ou seja, de déficit ambiental, em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL). 

A metodologia para a escolha dos imóveis consiste na utilização de banco de dados originado com geolocalização do estudo “Malha fundiária do Brasil”, iniciativa liderada pelo Imaflora, organização membro da rede do OCF.

Dentre as informações que serão disponibilizadas, está o monitoramento de alterações na cobertura vegetal e mapas temáticos apresentados com detalhamento de coordenadas e classificações legais, o que facilita ações de proteção e regularização ambiental.

As informações geradas serão disponibilizadas ao Ministério Público do estado, o que permitirá recomendações e investigações adequadas na esfera cível e criminal.

Segundo a assessora jurídica do Observatório do Código Florestal, Carolina Jambo, este acordo de cooperação é símbolo da valiosa contribuição da sociedade civil com o MPRJ. “E fornece instrumentos que sejam facilitadores para que este realmente incida, perante o órgão ambiental, responsável pela implementação do Código”, comenta. 

Para a presidente do IDC, Tatiana Bastos, representa um avanço crucial no combate ao desmatamento. “Ao unirmos forças e compartilharmos dados precisos sobre o uso do solo, estamos estabelecendo uma nova fronteira na proteção ambiental. Este é um passo significativo para garantir que as normas do Código Florestal sejam não apenas respeitadas, mas efetivamente implementadas”, finaliza.