Novo processo de regularização ambiental prejudica quilombolas e povos tradicionais

Novo processo de regularização ambiental prejudica quilombolas e povos tradicionais

RegularizAgro, lançado pelo Governo Bolsonaro, privilegia imóveis rurais de uso individual e ignora contribuição dos quilombolas na proteção da vegetação e no desenvolvimento agropecuário do Brasil

 

Passados 134 anos do fim da escravização, ainda há muitos desafios para que as populações quilombolas sejam reconhecidas e seus territórios regularizados. A abolição formal e inconclusa fez com  que alguns desses direitos fossem estabelecidos, como o direito à terra aos quilombolas, conforme consta no artigo 68 da Constituição, mas que não são garantidos na prática.

Há 10 anos, foi instituído o Novo Código Florestal, pela Lei 12.651/2012, que determina normas gerais sobre proteção da vegetação nativa. Embora a comunidade quilombola seja responsável por proteger 42,4% de mata nativa do país, segundo dados da plataforma MapBiomas, isso não é garantia de conseguir fazer uso ou conseguir demarcação de seu território.

Para garantir que qualquer território em área rural seja regularizado ambientalmente, o Código Florestal determina que seja feita uma inscrição no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar). Entretanto, o processo de Cadastro Ambiental Rural (CAR) dos territórios coletivos de populações tradicionais segue repleto de morosidade e violações de direitos. Enquanto mais de 6,5 milhões de imóveis rurais possuem cadastro, apenas 3.418 inscrições de povos e comunidades tradicionais (PCT) constam na base do Sicar.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que hoje existam 5.972 quilombos distribuídos em 1.672 municípios em 24 estados do país – apenas Acre e Roraima não possuem quilombos. Ou seja, até o momento, 30% das comunidades quilombolas do Brasil constam no Sicar, mas com processos em andamento.

Em meio a uma série de dificuldades encaradas por quilombolas, o governo federal, por meio do Decreto 11.015/2022, de março deste ano, instituiu o Plano Nacional de Regularização Ambiental de Imóveis Rurais, (RegularizAgro), que pensa em medidas para avançar o processo de regularização ambiental rural em todo o país.

O plano facilitaria o cadastro de territórios diversos no Sicar, incluindo os quilombolas, mas, na prática, o foco é especificamente nos imóveis rurais, que fazem o uso individual da terra. O referido plano do governo federal entende por gestão territorial apenas a atuação do agronegócio brasileiro e ignora a contribuição dos povos e populações tradicionais para a proteção da vegetação e até mesmo para o desenvolvimento agropecuário do Brasil.

Dificuldades encontradas

O Decreto não menciona o segmento do CAR para povos e populações tradicionais, que, de acordo com Código Florestal, é feito de forma diferenciada e deve ser apoiado pelo poder público para que as inscrições sejam feitas. Também não é mencionada a forma como lidar com as sobreposições entre os imóveis rurais e os territórios de uso coletivo, como Territórios Quilombolas, Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

“Nós não recebemos informação do governo federal e dos estados de como fazer o CAR e, por isso, muitos quilombolas têm medo de fazer o cadastro de forma coletiva e optam por fazer de forma individual”, destacou Francisco Chagas, do Quilombo Caboclo (PI) e membro da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq).

Além das dificuldades que a própria comunidade encontra no preenchimento dos dados do sistema, há ainda o fato de que nem mesmo as instituições estaduais e empresas privadas que atuam com a elaboração do CAR têm conhecimento do módulo PCT e no seu cadastramento como território de uso coletivo. Diante da falta de conhecimento, a possibilidade de se cadastrar uma terra coletiva como imóvel rural é bastante grande. Além disso, uma série de direitos são violados, entre eles, o direito ao uso da terra como comunidade tradicional.

É necessário, então, que haja um diálogo entre comunidades quilombolas, órgãos federais, secretarias estaduais de meio ambiente e institutos de terras para que não se tenha uma violação do Código Florestal e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.

De acordo com o Código Florestal, povos e comunidades tradicionais têm o direito de fazer o uso sustentável da área que ocupam, como é o caso do manejo de roças tradicionais, desde que não descaracterizem a vegetação existente. Quando um quilombo é inscrito no sistema no segmento de imóvel rural e não como PCT, o coletivo fica impossibilitado de utilizar a sua área desta forma. Assim, há um processo de apagamento de outras formas de uso e ocupação do território rural brasileiro para além do uso feito pelo agronegócio em seus imóveis rurais.

“Se o Estado não tem a abertura de uma aba de PCT para cadastrar os quilombos como território de uso coletivo, essas comunidades não estão sendo pensadas dentro do escopo de inclusão pelo Estado. Precisamos fazer um debate com esses estados para entender qual foi e qual é a dificuldade para que possamos garantir o cadastro dos nossos quilombos dentro do Sicar”, observou Chagas.

Sobreposições de inscrições

Por priorizar imóveis rurais, o decreto não menciona problemas relacionados a territórios de uso comunitário, como é o caso de ocupações tradicionais. Uma dessas questões são as sobreposições, quando os registros de imóveis rurais estão localizados em cima de territórios de povos e comunidades tradicionais e, ainda assim, são cadastrados no Sicar como imóveis privados e não como parte do território de uso comunitário.

De 435 territórios quilombolas registrados na base do Incra, 379 apresentam sobreposição com 9.439 registros de imóveis rurais. Essa sobreposição soma 1,57 milhões de hectares e ameaça 60% da área desses territórios.

Das 33 comunidades do Vale do Ribeira em São Paulo, 29 foram formalmente apoiadas pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), órgão responsável pelas políticas agrária e fundiária no estado e foram inscritas no CAR. E todas as reconhecidas possuem sobreposições com imóveis rurais, totalizando 393 sobreposições, como destaca nota técnica feita pelo Instituto Socioambiental (ISA) e Conaq.

No total, são mais de 33 mil hectares de áreas com sobreposição nos quilombos. Em 14 comunidades, a área de sobreposição acumulada ocupa 50% ou mais do território e em alguns casos, como Bombas e Peropava, as sobreposições de imóveis rurais individuais superaram a área dos quilombos. O quilombo de Poça, por exemplo, possui 35 sobreposições de imóveis rurais registradas dentro de seu território.

Por Andressa Cabral Botelho

[UOL] Com desmate recorde, Amazônia supera mil km2 de destruição em abril pela 1ª vez

[UOL] Com desmate recorde, Amazônia supera mil km2 de destruição em abril pela 1ª vez

Fonte: UOL / Estadão

06 de maio – Em entrevista ao UOL, a secretária executiva do Observatório do Código Florestal (OCF) falou sobre os dados do INPE de abril de 2022, que apontam para um recorde histórico de desmatamento na Amazônia.

Para a secretária executiva do OCF, os dados mostram o impacto da falta de fiscalização. “Se houvesse expectativa de punição pelo descumprimento da lei, certamente não estaríamos vendo a destruição da floresta para abertura de novas áreas para lavoura e pecuária. A expectativa de impunidade é um vetor crucial de destruição da Amazônia que pode ser revertido, pois temos a legislação para todos. É preciso que a lei seja cumprida.”, diz.

Para ler a notícia completa, acesse o site da UOL.

[Gife] Falta de espaços de participação social contribui para o surgimento de observatórios

[Gife] Falta de espaços de participação social contribui para o surgimento de observatórios

Fonte: Gife

25 de Abril – Segundo o estudo Observatórios Sociais e sua Importância para a Gestão Pública na Região Sul do Brasilpublicado na Revista Desenvolvimento em Questão, os observatórios começaram a surgir no Brasil na década de 1990 com a promulgação da Constituição Federal de 1988, “que apresentou a consolidação de importantes movimentos na sociedade brasileira e influenciou o desenvolvimento de observatórios sobre políticas públicas. Isso foi possível por meio das novas leis de acesso à informação, da criação dos Conselhos Gestores das Políticas Públicas e dos mecanismos de participação nos Planos Diretores Municipais”, ressalta trecho do documento.

Os observatórios reúnem, portanto, dados  e geram conhecimento, o que amplia, por exemplo, a transparência dos serviços públicos.

Leia a notícia completa na plataforma Gife

[Mongbay] Brazil bill seeks to redraw Amazon borders in favor of agribusiness

Brazil bill seeks to redraw Amazon borders in favor of agribusiness

Source: Mongbay / Jenny Gonzales

“The Mato Grosso governor doesn’t want the responsibility of complying with forest preservation indexes, but he wants to keep the tax benefits,” del Giudice said

25 April 2022 – In an interview to the Mongbay newspaper, Roberta del Giudice, executive secretary of the Forest Code Observatory spoke about bill 337, which seeks to redraw Amazonian borders in favor of agribusiness.

Rural properties located in the Legal Amazon must, by law, maintain 80% of native vegetation in forested areas — dubbed the legal reserve — and 35% in Cerrado areas. PL 337 proposes that the legal reserves in both biomes be reduced to 20%. It also calls for dropping a requirement to restore deforested lands, which currently amount to 3.3 million hectares (7.4 million acres).

“The approval of this bill would cause a great environmental impact in the state, which is already facing a water crisis,” Roberta del Giudice, an environmental lawyer and executive secretary of the Forest Code Observatory, told Mongabay by phone. 

The Pantanal wetlands south of the Amazon would also be affected, she said, as the biome depends on the precipitation generated by the rainforest to feed its rivers and swamps.

To read the complete news, access Mongbay

 

[Clube de Engenharia] Mudança no CF permite ocupação de margens de rios nos municípios

[Clube de Engenharia] Mudança no CF permite ocupação de margens de rios nos municípios

 

Fonte: Clube de Engenharia

 

Alteração sancionada no fim de 2021 vem recebendo críticas de especialistas e pode ser judicializada

 

07 de abril – Em entrevista ao Portal Clube Engenharia, a secretária executiva do Observatório do Código Florestal (OCF), falou sobre as consequências do projeto que altera o Código Florestal, aprovado no fim de 2021, e que permite aos municípios a liberação da ocupação das margens de rios.

A secretária executiva do OCF, alerta para o fato de o país vir sofrendo cada vez mais com os efeitos das fortes chuvas, intensificadas com as mudanças climáticas. Segundo ela, em vez de desmatar terrenos nas margens dos rios, o país deveria estar fazendo um caminho inverso, reflorestando e preservando essas áreas para se evitar enchentes. A especialista em direito ambiental acredita que a pressão será grande para a liberação de grandes empreendimentos nesses locais, até pela necessidade que os municípios têm de atrair investimentos privados. 

“Aqueles municípios que não têm turismo nem pressão por expansão urbana vão provavelmente continuar seguindo o Código Florestal. Mas aqueles que sofram pressão para a ocupação dessas áreas tendem a elaborar normas para reduzir essas áreas de preservação permanente”, avalia Roberta, que defende um turismo mais sustentável integrado à natureza. 

 

Para ler a reportagem na íntegra, acesse: Portal Clube Engenharia

[O Eco] Retirada do MT da Amazônia Legal legalizaria desmate maior que RJ e ES juntos

[O Eco] Retirada do MT da Amazônia Legal legalizaria desmate maior que RJ e ES juntos

Fonte: O Eco / Cristiane Prizibisczki

De acordo com a análise do OCF, a mudança ainda beneficiaria apenas uma pequena porcentagem de propriedades rurais

25 de março – Em análise do Observatório do Código Florestal (OCF) sobre o Projeto de Lei (PL) 337/2022 que propõe a retirada do estado do Mato Grosso dos limites da Amazônia Legal, foi revelado que a mudança implicaria na liberação para desmate de, no mínimo, 10 milhões de hectares. A área é maior do que os territórios dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo juntos. O documento foi publicado nesta sexta-feira (25).

Para Roberta del Giudice, secretária executiva do OCF, “O impacto disso no meio ambiente fere a Constituição, porque você vai perder disponibilidade hídrica, biodiversidade, tem um monte de impacto ambiental, de serviços ambientais que deixarão de ser prestados. Além disso, ele implica numa redução de proteção que fere o princípio do não retrocesso da proteção ambiental”.

 

 

Para ler a notícia completa, acesse: O Eco

[ISTO É DINHEIRO] Governo Bolsonaro ameaça a existência da Floresta Amazônica

[ISTO É DINHEIRO] Governo Bolsonaro ameaça a existência da Floresta Amazônica

 

Fonte: Isto é Dinheiro / Por: Lana Pinheiro

 

24 de março – De acordo com Nota Técnica do Observatório do Código Florestal (OCF), citadas em notícia do jornal Isto é Dinheiro desta quinta-feira, se o PL 337/2022 for para frente, o desmatamento no estado do Mato Grosso deve aumentar em pelo menos 100 mil km², correspondente ao território do estado de Pernambuco. O projeto de lei em questão, que avança na Câmara dos Deputados, é uma proposta  feita pelo deputado Juarez Costa (MDB-MT) com o objetivo de excluir o estado do Mato Grosso da Amazônia Legal.

Para ler a notícia completa, acesse: Isto é Dinheiro

[InfoAmazonia] PL para tirar MT da Amazônia Legal autoriza desmate do tamanho de PE

[InfoAmazonia] PL para tirar MT da Amazônia Legal autoriza desmate do tamanho de PE

Fonte: InfoAmazonia / Por Aldem Bourscheit

 

Para Roberta, a sensação é de que estamos diante de uma ‘liquidação’, em que é necessário aprovar todos os retrocessos possíveis antes do fim do ano.

 

18 de março – Em entrevista ao InfoAmazonia, a secretaria executiva do observatório do Código Florestal (OCF), Roberta del Giudice, fala sobre o PL337/2022, que propõe remover o estado do Mato Grosso (MT) da Amazônia Legal.

 

Na entrevista, Roberta fala sobre os impactos da saída do estado da Amazônia Legal e se a medida faz sentido, sobre as lacunas do Código Florestal e outros assuntos como os PLs que tramitam para alterar a legislação florestal.

 

Para a secretaria executiva do OCF, “A medida pode aquecer restrições de mercados como dos Estados Unidos e da União Europeia, que se organizam para não mais comprar produtos ligados a qualquer tipo de desmatamento. Isso pode simplesmente bloquear exportações de commodities brasileiras”.

 

Para ler a reportagem na íntegra, acesse: InfoAmazonia

[Hipernotícias] MT é destaque no Jornal Nacional por aprovação de lei que permite mineração em áreas de reserva legal

MT é destaque no Jornal Nacional por aprovação de lei que permite mineração em áreas de reserva legal

Os deputados mato-grossenses aprovaram a proposta em sessão na última quarta-feira (5).

 

Mato Grosso foi destaque na imprensa nacional, na noite desta quinta-feira (6). A aprovação do Projeto de Lei Complemtar (PLC) 58/2020, que prevê a mineração em áreas de reserva legal no Estado, foi pauta do Jornal Nacional, da Rede Globo.

Os deputados mato-grossenses aprovaram a proposta em sessão na última quarta-feira (5). O deputado petista Lúdio Cabral chegou a apresentar substitutivo integral ao projeto e pedir uma audiência pública para discutir o tema. Um dos motivos, segundo ele, era a repercussão negativa que a proposta poderia sofrer.

O autor do projeto, deputado Carlos Avallone (PSDB), por outro lado, defendeu que as discussões já haviam se esgotado durante toda a tramitação do projeto, que durou mais de um ano.

O projeto prevê compensação, contudo, especialistas ouvidos pelo Jornal Nacional avaliam que a aprovação da proposta vai incentivar o desmatamento.

O Ministério Público Federal (MPF) também se manifestou, alegando inconstitucionalidade da matéria. Caso seja sancionada, o MPF deve recorrer à Procuradoria-geral da República.

Ainda segundo reportagem do JN, o governador Mauro Mendes (DEM) emitiu nota dizendo que aguardará parecer jurídico da Procuradoria-Geral do Estado para decidir sobre eventual veto à proposta.

 

Fonte: HiperNotícias

[UM SÓ PLANETA] Estados podem se beneficiar de nova ferramenta de regularização ambiental

[UM SÓ PLANETA] Estados podem se beneficiar de nova ferramenta de regularização ambiental

 

Fonte: Um só Planeta / Por Mariana Grilli, da Globo Rural

 

Para Roberta del Giudice, para que a ferramenta chegue aos agricultores e agricultoras em larga escala, é preciso ter assistência técnica

 

24 de dezembro de 2021 – Na sexta-feira (24) a secretária executiva do Observatório do Código Florestal (OCF) falou em entrevista ao jornal Um Só Planeta sobre a nova ferramenta de regularização ambiental, lançada esta semana pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio do Serviço Florestal Brasileiro, com o objetivo de dar continuidade na implementação do Código Florestal, onde a ferramenta propõe facilitar a adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA).

O PRA é a etapa seguinte à validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), cuja análise aponta se a propriedade está de acordo com a legislação ambiental ou se precisa adotar alguma medida, como recuperação de solo degradado ou nascentes.

Para a compreensão da ferramenta chegue até agricultores e agricultoras em larga escala, Roberta del Giudice, secretária-executiva do Observatório do Código Florestal, lembra que é preciso ter assistência técnica. É importante também dar condições para o público entender como o CAR foi analisado e dar subsídios para que as restaurações sejam praticadas.

Roberta faz uma analogia com a declaração do imposto de renda. “Todo ano declaramos e ficamos naquela expectativa: Será que eu fiz certo? Será que vou cair na malha fina? Com o CAR é a mesma coisa. Será que minha APP eu coloquei direito? Será que analisaram e deu tudo certo? Por isso a gente precisa acelerar a validação, para dar retorno a quem fez esse CAR e quer seguir com o PRA”, ela diz.

Fatores como a baixa conectividade e pouco conhecimento de meios digitais, adicionados à falta de assistência técnica por parte dos Estados, dificultam o acompanhamento do status do CAR e, por consequência, as etapas seguintes como o PRA, segundo Roberta.

O próximo passo é a implantação efetiva da regularização dos imóveis rurais ao Código Florestal. “A implementação do Código Florestal é importante para mostrar para o mercado internacional que uma grande parte do produtor agrícola cumpre com a legislação. Aí começa a separar o joio do trigo, e mostrar ao mercado que tem commodity vindo de área sustentável”, defende Roberta del Giudice.

Para ler a reportagem na íntegra, acesse Um Só Planeta