[O Eco] Recuperar a vegetação nativa não pode só compensar o desmatado, pedem ongs na COP16


“Restaurar, preservar e usar de forma sustentável é fundamental diante do grave desequilíbrio planetário que estamos vivendo”, ressaltou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “A intensificação das enchentes, secas, desertificação e incêndios são sinais disso”, disse.

A legislação florestal pede o restauro de 12 milhões de ha de florestas e outros ambientes até 2030, no país todo. São áreas públicas e privadas. Os principais alvos são áreas de preservação permanente e reservas legais, unidades de conservação e áreas rurais de baixa produtividade.

A roupa nova do plano também inclui contribuições de populações indígenas e tradicionais, bem como outras pastas e agências, como Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Leia a matéria completa no link.


Análise dos acordos das cadeias da soja e carne à luz do Código Florestal

O estudo, desenvolvido pelo Observatório do Código Florestal em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV) e a Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (AdT), analisa como os acordos setoriais têm apoiado, fortalecido ou estimulado a implementação do Código Florestal, principal norma legal para a conservação e uso sustentável das florestas no Brasil.

Revisa iniciativas como a Moratória da Soja, estabelecida em 2006 por traders e organizações da sociedade civil, o Compromisso Público da Pecuária (CPP), firmado em 2009 por frigoríficos após campanha do Greenpeace, e o Protocolo de Monitoramento Voluntário de Fornecedores de Gado no Cerrado, lançado oficialmente em abril de 2024. 

Além disso, aborda o Protocolo Verde de Grãos do Pará, criado em 2014, e os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs da Carne), assinados por empresas com o Ministério Público Federal (MPF) em diversos estados da Amazônia Legal.

Uma das premissas do estudo é que, apesar dos impactos diretos desses acordos na redução do desmatamento ainda não serem totalmente nítidos, eles têm sido fundamentais para manter as empresas engajadas na busca de soluções que desvinculem suas atividades de problemas socioambientais. 

Além disso, essas iniciativas têm potencial para estruturar cadeias de suprimentos mais sustentáveis, onde a regularização ambiental dos fornecedores, em conformidade com o Código Florestal, é um passo crucial.

O estudo também realizou consultas individuais com membros das organizações envolvidas na concepção e implementação dos acordos, buscando aprimorar a análise e sanar dúvidas sobre aspectos operacionais.

Dentre as principais conclusões, a análise mostra que ainda são necessários avanços para garantir uma maior atuação do setor produtivo. O Cadastro Ambiental Rural (CAR), é um dos exemplos destacados pelo estudo. Os acordos voluntários analisados, com exceção da Moratória da Soja, exigem o CAR, mas não necessariamente validado. 

De acordo com o documento, a adesão ao cadastro sem a devida autenticação não é suficiente para avançar na implementação do Código Florestal, sobretudo por se tratar de um dado declaratório. Ou seja, o conteúdo dos cadastros precisa ser validado para que eles se tornem efetivamente uma ferramenta de gestão territorial. 

Uma das soluções apontadas pelo estudo, neste caso, seria restringir os acordos apenas para fornecedores que tenham o CAR devidamente validado.

Iniciativa ‘Nós do Mato’ apresenta conhecimentos da vida rural brasileira a partir das vivências de quem está no campo

Blog compartilha experiências de quem garante a proteção dos biomas e a alimentação das famílias 

O Código Florestal (Lei n° 12.651/2012), a lei de proteção da vegetação nativa, é a legislação que protege a vegetação nativa dos biomas brasileiros e garante a qualidade de vida e o bem-estar da população. Por isso, falar sobre a lei com quem vive o dia a dia do campo, lugar onde a maior parte da implementação do Código se dá, é imprescindível para avançar com a sua implementação e consequentemente promover uma produção agrícola mais sustentável.

É a partir desta  necessidade de comunicação e troca de saberes que surgiu o Nós do Mato. O blog tem como objetivo informar de forma leve, simples e fácil quem mora no ‘Mato’ – quem efetivamente alimenta e sustenta o nosso país, principalmente para garantir a preservação do meio ambiente e uma produção sustentável.

A iniciativa surge do entendimento de que o meio rural promove um dos pilares fundamentais do Brasil, e ao promover conteúdos a partir desta realidade, é possível contribuir para o desenvolvimento sustentável, a troca de experiências e o fortalecimento da população rural. Por isso, o blog é uma fonte confiável onde produtores do campo podem falar a partir das suas vivências.

A iniciativa traz informação, conteúdo, entretenimento, dicas e reportagens sobre a vida rural no Brasil. Assim, o Nós do Mato mostra a importância e os benefícios do Código Florestal e se apresenta como um espaço aberto, para compartilhamento de experiências, colaboração e conhecimentos de todos aqueles que buscam contribuir com a proteção das florestas e da vida no campo. 

Desafios e oportunidades dos Programas de Regularização Ambiental

Mais de dez anos após o estabelecimento do novo Código Florestal brasileiro (Lei da Proteção da Vegetação Nativa, nº 12.651, de 25 de maio de 2012), sua aplicação ainda apresenta uma série de desafios.

A fim de colaborar na construção de caminhos para a efetividade do Código, entre 2022 e 2023, o Diálogo Florestal promoveu, em parceria com o Observatório do Código Florestal (OCF) e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, com o apoio da Aliança pela Restauração na Amazônia e da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), a segunda edição de uma série de webinários sobre os Programas de Regularização Ambiental (PRAs) e Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e Alteradas (PRADAs) no país.

As discussões englobaram seis estados: Santa Catarina, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Pará – este último estado também integrou a edição anterior da série, realizada em 2021. Esta publicação traz uma síntese dos principais pontos abordados na série, que contemplou, ainda, um webinário sobre o contexto da União.

Os encontros reuniram representantes dos órgãos ambientais responsáveis, de organizações da sociedade civil atuantes na temática, de entidades de ensino, pesquisa e extensão e da iniciativa privada. Ao longo dos debates, foram analisados os principais avanços e desafios para a consolidação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) – primeira etapa necessária para a aplicação do Código – e para a implementação dos PRAs.

Também foram identificadas oportunidades para fortalecer esses processos nos estados e as perspectivas futuras para a continuidade da agenda na visão das organizações participantes.

[Notícia WWF-Brasil] Organizações socioambientais destacam a urgência de legislação robusta para a proteção do Pantanal

Novo texto precisa abordar medidas emergenciais e sustentáveis para preservar o bioma Pantanal

Por: WWF-Brasil, SOS Pantanal, EJF – Environmental Justice Foundation e Chalana Esperança

O WWF-Brasil, SOS Pantanal, EJF – Environmental Justice Foundation e Chalana Esperança em nota técnica divulgada dia 01/07/2024, ressaltam a urgência de uma legislação federal específica e robusta para a proteção do Pantanal. O bioma enfrenta uma situação alarmante, com 3.451 focos de incêndio registrados até a última quinta-feira (27), contra os apenas 157 do mesmo período do ano passado – um aumento de cerca de 2000%. Este cenário de seca extrema e ondas de calor agravam a degradação ambiental e ameaçam a biodiversidade da região.

A nota técnica aponta que modelos preditivos do Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ) Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ) indicam uma probabilidade de mais de 80% de perdermos uma área superior a dois milhões de hectares para o fogo este ano.

Necessidade de uma legislação efetiva

A Constituição Federal exige a elaboração de uma lei específica para assegurar a conservação do Pantanal. O Projeto de Lei (PL) n. 5482/2020, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, ainda carece de dispositivos concretos que garantam a preservação do meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais do bioma.

A nota técnica destaca áreas que necessitam de atenção específica, como a inclusão da proteção da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP) na legislação, o fortalecimento das brigadas de incêndios e a criação de mecanismos legislativos que determinem uma avaliação integrada de impactos ambientais. A conservação e recuperação do bioma também devem ser asseguradas por meio da implantação de novas unidades de conservação, fortalecimento das gestões das unidades existentes e políticas de desenvolvimento econômico sustentável.

 Os principais pontos da nova proposta incluem:

  • Inclusão da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai: Fundamental para a preservação do regime hídrico do Pantanal e a segurança jurídica dos povos tradicionais da região. Sem uma lei que olhe para a BAP, o Pantanal secará completamente e as queimadas se intensificarão cada vez mais, comprometendo o equilíbrio ecológico do bioma, a biodiversidade e o bem viver dos povos que ali habitam.
  • Fortalecimento das brigadas de incêndio: Incentivo à capacitação e criação de novas brigadas pantaneiras, além de reforço orçamentário para disponibilização de ferramentas e maquinário necessários, incluindo  aeronaves. É vital o fortalecimento do PREV-fogo/IBAMA, do corpo de bombeiros e das brigadas privadas e comunitárias regionalmente.
  • Avaliação integrada de impactos ambientais: Estabelecimento de critérios específicos para o licenciamento ambiental e restrições ao uso intensivo do solo. Somente assim será possível impedir a degradação em larga escala no bioma.
  • Conservação e recuperação do bioma: Implementação de novas unidades de conservação, fortalecimento das gestões das unidades existentes, restauração ecológica de cabeceiras e promoção de cadeias produtivas sustentáveis baseadas na sociobiodiversidade.
  • Apoio às comunidades tradicionais: Garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e comunidades tradicionais, além de valorização das práticas tradicionais e sustentáveis.

Compromisso com o futuro

Reforçamos a importância de uma abordagem integrada e focada na preservação ambiental para garantir a sobrevivência do Pantanal e das comunidades que dependem dele. As organizações que assinam a nota técnica conclamam os parlamentares brasileiros a redigir, votar e aprovar uma legislação que proteja e recupere o Pantanal, atendendo também às demandas globais de proteção do clima e da biodiversidade.

Organizações da sociedade civil firmam acordo de cooperação técnica com Ministério Público do Rio de Janeiro para combate ao desmatamento na Mata Atlântica

Acordo prevê produção e monitoramento de informações de uso do solo de imóveis rurais privados

A Mata Atlântica é um dos biomas mais devastados do país e para conter o desmatamento do bioma, a transparência de dados e informações sobre o uso da terra é fundamental. 

Para colaborar nessa tarefa, o  Observatório do Código Florestal (OCF), o Instituto de Direito Coletivo (IDC) e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) firmaram um acordo de cooperação técnica para a produção e transferência de dados e informações sobre as irregularidades do uso e cobertura do solo no estado. 

O objetivo é combater o desmatamento e avançar na restauração da Mata Atlântica a fim de  fomentar a preservação dos serviços ambientais e a biodiversidade na região de acordo com as normas previstas pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012).

De acordo com dados do Termômetro do Código Florestal, o Rio de Janeiro possui mais de 126 mil hectares de déficit de vegetação nativa a ser recuperada em imóveis rurais privados.

Pelo acordo, o Observatório do Código Florestal (OCF) e o Instituto de Direito Coletivo (IDC) fornecerá subsídios técnicos sobre o uso do solo para cinco municípios do estado a partir de uma seleção das 10 propriedades rurais privadas com as maiores proporções de passivo, ou seja, de déficit ambiental, em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL). 

A metodologia para a escolha dos imóveis consiste na utilização de banco de dados originado com geolocalização do estudo “Malha fundiária do Brasil”, iniciativa liderada pelo Imaflora, organização membro da rede do OCF.

Dentre as informações que serão disponibilizadas, está o monitoramento de alterações na cobertura vegetal e mapas temáticos apresentados com detalhamento de coordenadas e classificações legais, o que facilita ações de proteção e regularização ambiental.

As informações geradas serão disponibilizadas ao Ministério Público do estado, o que permitirá recomendações e investigações adequadas na esfera cível e criminal.

Segundo a assessora jurídica do Observatório do Código Florestal, Carolina Jambo, este acordo de cooperação é símbolo da valiosa contribuição da sociedade civil com o MPRJ. “E fornece instrumentos que sejam facilitadores para que este realmente incida, perante o órgão ambiental, responsável pela implementação do Código”, comenta. 

Para a presidente do IDC, Tatiana Bastos, representa um avanço crucial no combate ao desmatamento. “Ao unirmos forças e compartilharmos dados precisos sobre o uso do solo, estamos estabelecendo uma nova fronteira na proteção ambiental. Este é um passo significativo para garantir que as normas do Código Florestal sejam não apenas respeitadas, mas efetivamente implementadas”, finaliza. 

Carta pela aplicação do EUDR – Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento

O Observatório do Código Florestal (OCF) se uniu a 24 organizações e redes da sociedade civil e assinou uma carta destinada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen com solicitação à implementação do novo Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento, o EUDR (sigla em inglês). 

O documento parte do princípio de que como a EUDR ainda não se tornou aplicável, os números de desmatamento permanecem em níveis elevados e prejudicam a capacidade de adaptação dos ecossistemas às mudanças climáticas. A carta salienta ainda os impactos negativos da degradação ambiental, que gera desrespeito aos direitos humanos por meio de processos como apropriação de terras, despejos forçados e violência generalizada aos povos indígenas e comunidades tradicionais. 

 

Leia a carta completa aqui:  Carta “Cada segundo conta para proteger as florestas e ecossistemas globais”

NOTA TÉCNICA – PROJETO DE LEI (PL) 135/2020

A presente nota técnica elaborada pelo Observatório do Código Florestal (OCF) tem como objetivo analisar o projeto de lei (PL) 135/2020, de autoria do Senador Jorge Kajuru (PSB/GO), que atualmente tramita da Comissão de Meio Ambiente do Senado e tem relatoria da Senadora Teresa Leitão (PT/PE).

[Encerrada] CHAMADA ABERTA PARA CONTRATAÇÃO DE SECRETÁRIA(O) EXECUTIVA(O)

O Observatório do Código Florestal está com uma chamada aberta para contratar um profissional para liderar a Secretaria Executiva do Observatório do Código Florestal com uma visão estratégica sobre as políticas florestais do país. 

QUALIFICAÇÕES

Profissional sênior com formação compatível com a missão do Observatório do Código Florestal, que tenha uma vasta experiência e conhecimento em políticas florestais, legislação e regulamentações.  

1. Experiência comprovada em gestão de redes, governança e diálogos multilaterais;  

2. Capacidade de conduzir processos de incidência política com eficácia;  

3. Auto motivado pelos desafios da implementação da política florestal brasileira; 

4. Identificação com o propósito da rede; 

5. Que seja focado no resultado, implementando processos coerentes com os resultados esperados estabelecidos pela rede, com habilidade para planejar e adaptar o planejamento as mudanças rápidas de contexto; 

6. Fluência em inglês é desejável. 

PARA SE CANDIDATAR

A documentação solicitada deverá ser enviada até o dia 28/04/2024 para o e-mail: contato@observatorioflorestal.org.br com o assunto: Vaga SE OCF – Nome da/o candidata/o: 

  • Carta de intenções com manifestação dos motivos de interesse em ocupar essa posição; 
  • Currículo atualizado, incluindo a produção técnica (i.e. artigos científicos, relatórios técnicos, capítulos de livros) mais recente (últimos 3 anos); 
  • Pretensão salarial. 

CONTATO 

Dúvidas sobre o processo seletivo poderão ser enviadas para o e-mail: contato@observatorioflorestal.org.br. 

[Nota técnica WWF-Brasil] Projeto de Lei n° 3.334/2023 Reserva Legal em áreas de florestas da Amazônia Legal

Análise do Projeto de Lei nº 3.334/2023, de iniciativa do Senador Jaime Bagattoli (PL/RO), que visa alterar a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 (Código Florestal), para permitir a redução da Reserva Legal em áreas de florestas da Amazônia Legal, para todos os efeitos, nos municípios com mais 50% do seu território ocupado por áreas protegidas de domínio público.