Código Florestal completará 6 anos sob constante vigilância

Via: Envolverde

Nesta semana organizações da sociedade civil, do poder público e do setor privado dedicaram um dia inteiro para discutir sobre o conceito de Governo Aberto e Transparência aplicado ao Código Florestal, Lei recentemente discutida no Superior Tribunal Federal e que completará 6 anos no final do mês.

Falar sobre Governo Aberto é falar sobre a promoção de projetos e ações voltados ao aumento da transparência e da prestação de contas dos governos à sociedade. Com a abertura das bases de dados, a participação social e o desenvolvimento de novas tecnologias são estimulados. Aplicando-se esses conceitos ao Código Florestal, seria possível aprimorar políticas de compras sustentáveis e responsabilizar produtores rurais em desacordo com a Lei, assim como identificar acompanhar as cadeias de produtos agrícolas.

O encontro, realizado em Brasília, foi promovido pelo Observatório do Código Floresta (OCF), o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e o Instituto Centro de Vida (ICV), instituições comprometidas com a promoção do desenvolvimento sustentável dos imóveis rurais no Brasil.

Para o Deputado Federal Alessandro Molon, Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o engajamento da população é essencial para o cumprimento das leis. “A maior aliada da luta em defesa do ambiente é a população; para que ela se engaje é fundamental que os dados sejam conhecidos. Quanto mais transparência, mais conhecimento; quanto mais conhecimento, mais engajamento para pressionar que a lei seja respeitada e o ambiente protegido”, defende Molon.

A implementação do Código Florestal tem como pré-requisitos a sua governança democrática, a transparência e a abertura das bases de dados a ele relacionados, tais como, os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e as informações sobre os Programas de Regularização Ambiental (PRA). Segundo Renato Morgano, Coordenador de Políticas Públicas do Imaflora, “a abertura dos dados do CAR e a disponibilização das informações das próximas etapas para a implementação do código é fundamental para o aumentar no controle social, levando à própria efetividade da política”.

Para a Secretária Executiva do Observatório do Código Florestal, Roberta del Giudice, com transparência, a sociedade pode participar da implantação das políticas públicas, fomentando um mercado socialmente justo e que preserve o meio ambiente. “A transparência é importante no combate à corrupção, ao trabalho escravo, ao desmatamento, à degradação ambiental, que podem levar o Brasil a atingir uma melhor qualidade de suas commodities agrícolas.

Vivian Ribeiro, pesquisadora do IPAM, apresentou uma ferramenta do Observatório, desenvolvida para monitorar a Lei Florestal, o Termômetro do Código Florestal. O aplicativo, disponível em versão web e mobile, permite ao cidadão checar o cumprimento dos principais instrumentos da Lei, como o número de imóveis no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), o remanescente de vegetação nativa e os passivos de Reserva Legal e Área de Preservação Permanente, nos estados e municípios. “O uso de dados florestais tem um enorme potencial para a produção de conhecimento, preservação de biomas, uso planejado do solo e apropriação do mercado. Além disso, esse nível de transparência e de facilidade de acesso colaboram diretamente para políticas mais efetivas”, afirma Ribeiro.

Mesmo com os recentes avanços nas boas práticas de transparência e a criação de marcos legais, como a Lei de Acesso à Informação, ainda existem diversos desafios para uma transparência integral, gerando um intenso debate sobre as fronteiras entre a transparência e o sigilo comercial e fiscal.

Para o Dr. Luís Roberto Barreto Júnior, presidente da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), “não é possível você exercer a liberdade de expressão, que é um direito político, se a informação que eu tenho não é segura. Se o poder público constrói um software que é impossível ao terceiro setor, por exemplo, acessar e compatibilizar com a sua forma de avaliar, ele violou o direito à informação”, comentou Barreto.

Segundo Maurício Guetta, advogado do Instituto Socioambiental (ISA), a decisão pela não abertura dos dados é política e não legal. “Vemos que as normas internacionais ambientais trazem isso na sua essência, trazem o direito do acesso à informação na sua essência. Não é porque é possível usar indevidamente o dado, que você não deve conferir o acesso a esse dado” comentou Maurício.

O encontro, que faz parte de uma série de eventos desenvolvidos no mês do Código Florestal, foi transmitido ao vivo pelo Facebook e está disponível na íntegra no site do OCF. Os próximos eventos do Observatório serão realizados em Recife e São Paulo, nos dias 25 e 29 de maio, respectivamente.

Prazo termina no fim do mês, mas CAR de territórios tradicionais continua com problemas

 

 

O prazo final do Cadastro Ambiental Rural (CAR) termina, em 31/5, mas o registro dos territórios das comunidades tradicionais, como quilombolas e ribeirinhos, continua com uma série de problemas.

Essas populações não têm recursos para fazer o cadastro e, segundo o Código Florestal, o governo é obrigado a fazê-lo, informá-las e apoiá-las com esse objetivo. Segundo as lideranças das comunidades, no entanto, isso não tem acontecido. Quem não se cadastrar até o fim do mês vai perder vários benefícios previstos na lei, como acesso a crédito agrícola e a políticas públicas vinculadas ao CAR.

Até o final do ano passado, quase dois mil cadastros de territórios tradicionais já haviam sido feitos, somando quase 27 milhões de hectares. A informação disponível, no entanto, é que a imensa maioria é composta de Unidades de Conservação (UC) federais e estaduais, principalmente Reservas Extrativistas (Resex), que abrigam ribeirinhos e extrativistas, são geridas diretamente pela administração pública e cujas informações já estão acessíveis. O déficit de registros entre os quilombolas, por exemplo, continua grande. O Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR) não dispõe da informação por segmento de população tradicional, o que dificulta o mapeamento mais completo do problema.

As comunidades tradicionais também temem que, do jeito que está o módulo de cadastramento, ele prejudique sua regularização fundiária. Com as disputas por terra em todo país, há muitas áreas de terceiros sobrepostas aos territórios. O receio é que a possibilidade de registro dessas áreas no CAR fortaleça as pressões de grileiros e fazendeiros contra a regularização. Sobretudo na Amazônia, já há casos em que grileiros e fazendeiros estão usando o CAR para tentar legalizar áreas ocupadas irregularmente.

ISA e a Coordenação Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) produziram uma animação para orientar e informar as comunidades tradicionais sobre o assunto (veja abaixo). No ano passado, o ISA também publicou uma série de reportagens sobre o CAR e uma delas tratava dos territórios tradicionais (leia aqui).

Negociações

Há mais de um ano, representantes dos quilombolas, da sociedade civil e do Ministério Público Estadual do Pará negociam com o governo federal adequações ao módulo. Recentemente, o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) entrou nas conversas.

Em outubro, o ISA e o CNPCT, com apoio do Observatório do Código Florestal, realizaram uma oficina sobre o assunto com dezenas de representantes das comunidades. Como resultado, eles apresentaram ao governo uma lista de propostas de ajustes do módulo e uma agenda para sua implementação.

Poucas delas avançaram, porém, de acordo com a assessora do ISA Milene Maia Oberlaender. Ela defende que o prazo para o CAR seja prorrogado apenas para comunidades tradicionais e agricultores familiares. O prazo geral do cadastro, para todos os produtores e comunidades rurais, já foi postergado duas vezes, mas é muito pouco provável que o governo faço isso de novo.

“É necessário que o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão responsável pelo CAR, seja mais ágil com as devidas melhorias do módulo, respeitando as normativas que garantem os direitos dos povos tradicionais”, afirma Oberlaender. “A responsabilidade de fazer o CAR é do Poder Público e as comunidades não podem ser prejudicadas pela omissão ou lentidão dos órgãos oficiais”, destaca.

Reivindicações

Os representantes das comunidades tradicionais seguem cobrando do governo a implantação de um alerta de cadastros sobrepostos aos seus territórios e que eles só possam ser registrados na totalidade de seus perímetros. As lideranças lembram que, segundo a legislação, os títulos quilombolas, por exemplo, são coletivos e indivisíveis.

Elas também reivindicam que não sejam registradas feições internas das suas terras, como as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a Reserva Legal (RL), ambas previstas no Código Florestal. De acordo com as comunidades, sua lógica de gestão dos recursos naturais é diferente daquela dos imóveis privados. Levantamento do Ministério do Meio Ambiente sobre 279 territórios quilombolas indica que cerca de 87% da sua extensão é coberta com com vegetação nativa.

“A obrigatoriedade de definir as APPs e RLs para os territórios tradicionais fere o pluralismo jurídico previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante o respeito às regras próprias das comunidades em gerir seus territórios”, analisa Oberlaender. “A Constituição considera os territórios tradicionais espaços especialmente protegidos, com regime jurídico similar das UCs”, argumenta.

Ela menciona ainda que a Corte Interamericana de Direitos Humanos determina o mesmo tratamento dado às Terras Indígenas deve ser aplicado aos quilombos. Portanto, o cadastro dessas áreas deve seguir o mesmo tratamento das TIs e UCs, que têm apenas o perímetro integral cadastrado.

As poucas adaptações realizadas pelo governo foram a substituição do termo “imóvel rural” por “território tradicional”, no caso de cadastros desse tipo; a inclusão de 28 segmentos de comunidades tradicionais que podem ser registradas; e a possibilidade de inclusão do nome de mais de uma organização em nome da qual o território pode ser cadastrado.


O que é o Cadastro Ambiental Rural?

O CAR é um instrumento definido em âmbito nacional pelo Código Florestal (Lei 12.651/2012) com o objetivo de criar um registro de todos os imóveis rurais no país, integrando as informações ambientais em uma base de dados para viabilizar a regularização ambiental dos imóveis rurais e garantir o controle, monitoramento e combate ao desmatamento no Brasil. No CAR, é feito o registro das áreas desmatadas, de Reserva Legal (RL), Preservação Permanente (APPs), áreas de Uso Consolidado, de Uso Restrito e as que devem ser reflorestadas. Apesar de ter se tornado obrigatório para todo o país com o Código Florestal, o CAR já era utilizado antes de 2012 em estados da Amazônia Legal como parte das políticas de redução do desmatamento no bioma.

Via: Instituto Socioambiental, 10 de março de 2018

 

Seminário Governo Aberto e Transparência do Código Florestal

 

Parte 1

 Abertura e Boas Vindas

Roberta del Giudice (Observatório do Código Florestal)

Alessandro Molon (Presidente da Frente Parlamentar Ambientalista)

Nívio de Freitas Silva Filho (MPF)

Edson Duarte (Ministro interino do Meio Ambiente)

 

Parte 2

Governo Aberto e Transparência

Otávio Neves (CGU)

Joara Marchezini (Artigo 19)

Gerd Sparovek (ESALQ/USP)

Moderação: Renato Morgado (Imaflora)

 

Parte 3

Desafios e Boas práticas de transparência e abertura de dados ambientais

Gabriela Monice Arruda (SEMAS/PA)

Daniel Azeredo (MPF)

Pedro Sales (SFB)

Adelaine Cesar (SEMA/MT)

Moderação: Roberta del Giudice (OCF)

 

Parte 4

O potencial de uso de dados florestais para a produção de conhecimento, para o mercado e para políticas públicas

Heron Martins (Imazon)

Marcelo de Medeiros (Imaflora)

Heron Gordilho (UFBA)

Vivian Ribeiro (IPAM)

Moderação: Ana Paula Valdiones (ICV)

 

Qual a fronteira entre a transparência e o sigilo pessoal, comercial e tributário?

Luis Fernando Barreto Júnior (Abrampa)

Gilberto Waller Junior (OGU/CGU)

Joara Marchezini (Artigo 19)

Moderação: Maurício Guetta (ISA)

 

Parte 5

Encerramento


No mês de aniversário do Código Florestal, convidamos você para o Seminário sobre Governo Aberto e Transparência do Código Florestal, em Brasília.

Código Florestal é a Lei que regulariza a forma como a vegetação é tratada no Brasil, principalmente em áreas rurais privadas. Cumprir a Lei garante melhor qualidade do ar e água, além de um clima estável, ajudando inclusive na produção agrícola.

O “Governo Aberto” tem como objetivo a valorização da transparência pública, da prestação de contas, da participação cidadã, da abertura de dados e do uso de tecnologias de informação para aumentar a interação entre governos e sociedade.

O evento é uma realização do Imaflora BrasilInstituto Centro de Vida – ICV​ e Observatório do Código Florestal

Sobre o Observatório do Código Florestal: Criado em 2013, o Observatório do Código Florestal é uma rede formada por 28 instituições, que monitora a implantação da nova Lei Florestal (Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012), com a intenção de gerar dados e massa crítica que colaborem com a potencialização dos aspectos positivos e a mitigação de seus aspectos negativos da nova Lei Florestal e evitar novos retrocessos.

 

Implementando Mercados de Cotas de Reserva Ambiental (CRA): Desafios e oportunidades para as Regulamentações Estaduais

O estudo desenvolvido pela CSF-Brasil em parceria com o Observatório do Código Florestal (OCF) e apoio da Fundação Good Energies, sistematiza algumas estratégias para promover o funcionamento mais eficiente da CRA em termos econômicos e ambientais, assim como de mecanismos de compensação florestal de maneira mais ampla.

Elaboração: CSF-Brasil em parceria com o OCF

Palavras-chave: Cotas de Reserva Ambiental (CRA)

ONGs pedem abertura de dados sobre meio ambiente aos órgãos oficiais

Fonte: Sbera

Nessa terça-feira, 10 de abril,  um grupo de ONGs, (Imaflora, ICV, Observatório  do Código Florestal, Observatório do Clima, WWF, TNC e Artigo 19) estarão reunidos com representantes do Ministério do Meio Ambiente, IBAMA, SFB, ICMBio e Jardim Botânico para discutir a carta enviada em dezembro passado, que pedia transparência e abertura de dados ambientais.
A pauta tem quatro pontos e está no âmbito das ações brasileiras para Governo Aberto.
1. Promoção da Lei de Acesso à Informação e da Política do Executivo Federal de Dados Abertos e difusão dos conceitos de transparência ativa, transparência passiva e dados abertos, com especial atenção aos grupos vulneráveis;
2. Criação de um sistema de transparência e prestação de contas sobre a implementação, o monitoramento e a avaliação de planos e políticas ambientais;
3. Criação de um protocolo de validação de sistemas de informação e bases de dados gerados e mantidos por atores não-estatais (ONGs, universidades, centros de pesquisa, etc);
4. Disponibilização, aprimoramento e produção de informações e bases de dados.

Encontro discute regularização ambiental no Assentamento São Pedro

“A questão dos assentamentos de reforma agrária é bem complexa. Ainda não foi decidido de quem é a responsabilidade por realizar o cadastro, se o cadastro será lote a lote ou pelo perímetro inteiro do assentamento. Então, tem uma série de discussões que ainda não foi finalizada, que precisamos levantar e envolver os órgãos para se chegar a um consenso sobre como a lei será aplicada e como se dará a condução dos programas de regularização ambiental, assinaturas de termos de compromisso, para que se possa começar a implementação da lei nos assentamentos de reforma agrária. ” – Roberta del Giudice – Secretária Executiva do Observatório do Código Florestal

 

Via ICV – 06/04/2018

O Encontro sobre Regularização Ambiental reuniu mais de 300 pessoas no Assentamento São Pedro, em Paranaíta. Além de uma conversa esclarecedora sobre o estado atual do assentamento, com a presença de representantes do Incra, Ibama e Sema/MT, o encontro destacou ações conjuntas para avançar na adequação à legislação ambiental.

Rainério dos Santos, presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores do PA São Pedro (Coomasp), foi um dos anfitriões e explicou a origem do encontro. “O ICV nos procurou na cooperativa para falar sobre o Cadastro Ambiental Rural do assentamento e nós dissemos que precisamos de mais esclarecimento sobre como chegar na regularização ambiental”. O pedido dos assentados era totalmente alinhado com a principal contribuição que a organização tinha para dar naquele momento: informação.

O ICV levou para o encontro os mapas e dados com a situação ambiental do assentamento perante a legislação ambiental, contendo o estado das áreas de preservação permanente e reserva legal, necessidades de recuperação e áreas embargadas. O trabalho realizado pelo Instituto inclui aspectos necessários para o processo de regularização ambiental e para o melhor desenvolvimento da produção no assentamento, de forma sustentável.

“Nós queremos contribuir com a sustentabilidade na produção rural, e queremos que as políticas públicas cheguem até os assentamentos. Para isso, acima de tudo, os assentados precisam de informação”, diz Vinícius Silgueiro, coordenador de Geotecnologias do ICV. “Olhar para a parte ambiental não é só porque a floresta é bonita em pé, mas porque ela tem uma função dentro do sistema produtivo. Todo agricultor sabe como a floresta influencia e ajuda na disponibilidade de água, na conservação do solo, a não ter erosão”.

Marcus Filipe, do Serviço de Meio Ambiente do Incra de Mato Grosso, esclareceu dúvidas sobre o CAR dos assentamentos no estado e sinalizou com uma boa notícia para o São Pedro. “Nesse assentamento vocês estão em uma situação muito privilegiada porque o parcelamento já está pronto, o georreferenciamento do perímetro está em fase final de certificação, e vocês estão organizados. O cenário é de um assentamento para ser colocado como piloto no CAR e até na recuperação das áreas que precisam ser restauradas”, afirmou Marcus.

Ajustes no Simcar

O Sistema Mato-Grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar) precisa receber adequações para receber os cadastros de assentamentos da reforma agrária e proceder com a análise e validação desses cadastros como imóveis da agricultura familiar. Vinícius Rezek, diretor da unidade da Sema/MT de Alta Floresta, confirmou que a secretaria recebeu recomendação jurídica do Ministério Público Federal (MPF) e tomará providências a respeito.

“O Decreto 1.031/2017, que trata da regularização ambiental em Mato Grosso, será alterado e os assentamentos não serão mais considerados como uma grande propriedade. Até semana que vem essa alteração será feita na legislação de Mato Grosso”, afirmou Rezek.

Assentamento São Pedro

Para apresentar aos assentados o histórico de uso do solo no São Pedro, o ICV elaborou três mapas. Um do ano de criação do assentamento, em 1997, um com a situação em 22 de julho de 2008 – que é a data de corte do Código Florestal para definição de áreas consolidadas – e um da situação atual.

O mapeamento mostra que em 1997 o assentamento tinha apenas 186 hectares de áreas abertas. Nos 11 anos seguintes, 65% do assentamento foi desmatado, de modo que, em 2008, haviam quase 23 mil hectares de área aberta. Considerada de uso consolidado pelo Código Florestal, esta área não precisa ser recomposta em floresta novamente e está destinada para produção da agricultora familiar.

Depois de 22 de julho de 2008, de acordo com a nova legislação florestal, as florestas que restaram se tornaram automaticamente a Reserva Legal dos lotes. A partir deste ponto, a abertura de novas áreas estava proibida, mas, mesmo assim, pouco mais de 3 mil hectares ainda foram desmatados. Agora, esses hectares abertos depois de 2008 são considerados passivo ambiental e precisam ser recuperados.

Esse diagnóstico da situação ambiental do São Pedro também identificou que muitas dessas áreas estão embargadas pelo Ibama. Jocelita Tozzi, analista ambiental do Ibama, explicou aos assentados que, para a suspensão do embargo, não basta somente pagar a multa. “O desembargo está relacionado à regularização ambiental do imóvel, especialmente à recuperação da área desmatada que foi objeto do embargo”, explica Jocelita.

No caso das áreas de preservação permanente que precisam ser restauradas – entre nascentes e beiras de rios e córregos – o trabalho apresentado pelo ICV apontou para um total de 256 hectares. Samara Souza, da MaxGeo, responsável pela restauração florestal no Projeto de Revitalização do Assentamento São Pedro (Prasp), afirma que a meta do projeto em andamento é recuperar, no mínimo 20% das nascentes degradadas do assentamento, o que dá um total de 120 nascentes aproximadamente.

O projeto vai garantir os insumos necessários aos ocupantes dos lotes onde estão as nascentes a serem recuperadas e é uma boa oportunidade pra iniciarem a regularização ambiental de seus lotes no assentamento.

O encontro foi promovido pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e pela Cooperativa Mista dos Agricultores do PA São Pedro (Coomasp), com apoio das associações comunitárias do assentamento, da Prefeitura Municipal de Paranaíta e do Observatório do Código Florestal (OCF). Assentados de 21 comunidades do assentamento estiveram presentes no encontro, realizado na última terça-feira, dia 3, na sede da Coomasp, na comunidade Jardim do Éden.

Momento crucial

O Código Florestal é a mais importante lei ambiental do Brasil e uma das mais modernas do mundo. Ele regula como o solo deve ser usado, quanta floresta precisa ser preservada e como ela pode ser trabalhada.