Observatório do Código Florestal solicitou em Carta Aberta ao STF celeridade na publicação de acórdão e manifestou seu apoio à decisão sobre a compensação ambiental

Observatório do Código Florestal solicitou em Carta Aberta ao STF celeridade na publicação de acórdão e manifestou seu apoio à decisão sobre a compensação ambiental

O Observatório do Código Florestal, rede formada por 28 instituições da sociedade civil, enviou em 15 de junho de 2018, uma Carta Aberta ao Supremo Tribunal Federal, por meio de sua Presidente, Ministra Carmen Lúcia, pedindo celeridade e apoiando a decisões da Corte na Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) e Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), ocorrido em 28 de fevereiro de 2018, onde se entendeu que a compensação ambiental é permitida apenas entre áreas com mesma identidade ecológica.

O julgamento ocorreu em 28 de fevereiro de 2018 e seu Acórdão ainda não foi publicado. Para ser aplicada, a Decisão precisa transitar em julgado, ou seja, deve ter-se esgotado o prazo para que as partes recorram. Enquanto isso não ocorre, inúmeras ações voltadas à implantação da Lei deixam de ser adotadas, como a regulamentação dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) pelo estados, a avaliação dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), entre outras.

No julgamento, somente 8 dos 22 pontos do Código Florestal questionados nas ADIs foram considerados inconstitucionais ou tiveram determinada a interpretação conforme a Constituição da República. Entre esses oito, foi determinada a interpretação conforme da República ao art. 48, § 2º, do Código Florestal. Na prática, essa decisão importa em submeter a compensação de Reserva Legal a um critério de equivalência ecológica entre a área desmatada e a área compensante.

O Código Florestal determina que todo imóvel rural mantenha de 20 a 80% de sua área com vegetação natural, conforme sua localização, a título de Reserva Legal. Caso o imóvel tenha sido desmatado em percentual superior a esse mínimo, antes de 22 de julho de 2008, o produtor rural poderá compensar a Reserva Legal em outro imóvel. Neste caso, se considera que a Reserva Legal a ser compensada e a área a compensar devem se localizar no mesmo bioma e estado, ou em outro estado em caso de áreas definidas como prioritárias. No julgamento ocorrido em 28 de fevereiro de 2018, o STF determinou que as áreas devem ter a mesma identidade ecológica.

O Observatório do Código Florestal acredita que o conceito de identidade ecológica para fins de compensação ambiental poderá ser construído, com adoção de conceitos e mapeamentos já formulados, garantindo que a compensação ambiental contribua não só para a implantação do Código Florestal e proporcione ganhos ambientais, recaindo em áreas de relevante interesse para a conservação ambiental.

Acesse aqui a íntegra da Carta Aberta.

 

Sobre o Observatório do Código Florestal: Criado em 2013, o Observatório do Código Florestal é uma rede formada por 28 instituições, que monitora a implantação da nova Lei Florestal (Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012), com a intenção de gerar dados e massa crítica que colaborem com a potencialização dos aspectos positivos e a mitigação dos aspectos negativos da nova Lei Florestal e evitar novos retrocessos.

 

Workshop discute os 6 anos do Código Florestal com a imprensa

Workshop discute os 6 anos do Código Florestal com a imprensa

São Paulo, 18 de junho de 2018 – Na manhã de terça-feira, dia 12 de junho de 2018, foi realizado em São Paulo o workshop “Código Florestal, a Lei pegou!”, apresentando dados atuais e propostas para o futuro da Lei de proteção da vegetação natural brasileira. O evento foi organizado pelo Observatório do Código Florestal, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, WWF-Brasil, Iniciativa Verde e Envolverde/Carta Capital, e contou com o apoio da Norad.

No primeiro bloco, foi apresentado o Termômetro do Código Florestal, aplicativo para celular, uma iniciativa do Observatório para monitorar a regularidade ambiental do meio ambiente rural e a implantação da Lei. A ferramenta analisa dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e disponibiliza informações sobre outros instrumentos relacionados ao Código, como o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA). A pesquisadora do IPAM, Laura Braga, explica que a ferramenta permite à população ter acesso transparente à implementação do Código. “O Termômetro reúne as informações a respeito do Código Florestal de forma simples e rápida, viabilizando controle social da implantação de uma política fundamental para garantir a qualidade de vida de todos.” No segundo semestre deste ano, será lançada uma nova versão da ferramenta.

Durante o encontro, foram lançados os resultados da pesquisa “Consumo e o Código Florestal”, realizada pelo IBOPE e a Rede Conhecimento Social, nas 5 regiões do País, para identificar como a sociedade percebe o Código Florestal. A pesquisa dispõe de várias informações relevantes que podem contribuir mobilizando a sociedade para a implantação da Lei, como o fato de que 82% dos consumidores querem produtos que sigam o Código – e 60% se predispõe a pagar um pouco a mais por isso. “O brasileiro está cada dia mais consciente sobre o que coloca em sua mesa, e isso se reflete em suas escolhas de compra”, diz a coordenadora de Comunicação do IPAM, Cristina Amorim. “Isso é especialmente verdade entre os mais jovens, e é um hábito que levarão para suas vidas. Então, as empresas que incorporarem o cumprimento do Código Florestal em sua cadeia de produção terão vantagem sobre as outras”, complementa.

No workshop, os professores Ely Bergo de Carvalho (UFMG), Raoni Rajão (Lagesa/UFMG) e a secretária executiva do Observatório, Roberta del Giudice, lançaram o livro “Uma breve História do Código Florestal – Parte 1”, que de forma concisa traz a história da legislação florestal brasileira desde suas raízes em Portugal até 1979. Segundo os autores, no século XIX e XX já existia a preocupação com a conservação dos recursos naturais para a garantia da estabilidade e crescimento econômico. “No Código Florestal do Paraná, em 1907, já se fala sobre a importância de proteger as florestas em defesa dos solos. Já se tinha conhecimento de que o desmatamento pode secar os rios, mudar o clima, prejudicar os solos” comentou Rajão. Carvalho afirmou que os primeiros códigos foram criados fundamentalmente para otimizar a produção no campo, a manutenção da indústria madeireira, os regimes de chuva, a preservação do solo, sem preocupações ambientais românticas. Para Roberta del Giudice, “a ciência aponta que há necessidade de proteção ambiental, são editadas normas de proteção. Contudo, para a manutenção do status quo,  ocorre uma pressão, que leva a redução da proteção conferida. Isso pode ser verificado em toda a história da legislação florestal”, comenta Roberta.

No terceiro bloco do evento, o pesquisador Gerd Sparovek (ESALQ/USP) apresentou o projeto ImplantaCF, que propõe uma forma eficiente de implantar o Código Florestal, estruturada em informações disponíveis, com foco no Estado de São Paulo. A proposta é otimizar os projetos de restauração no estado, de forma democrática e com forte embasamento científico, proporcionando de forma eficiente a regularização ambiental dos imóveis rurais no estado. Segundo Sparovek, “no Brasil vemos que 50% do déficit ambiental está concentrado em 0,3% das propriedades rurais. Se eu sei exatamente onde são estas regiões quentes, onde há uma grande concentração de déficit, é possível gerar soluções de baixo custo, concentrando investimentos e gerando toda uma economia florestal que o Código fomenta, compatibilizando assim ganhos ambientais e sociais, com a atividade econômica”.

No mesmo bloco, Frederico Machado, WWF Brasil, abordou como o mecanismo de compensação ambiental fora da propriedade rural pode garantir as facilidades ao produtor que tem passivo e ganhos em conservação, o que está detalhado no documento “Oportunidades e desafios de conservação na regularização ambiental das propriedades rurais”. “Dos 20 milhões de hectares de passivo ambiental no Brasil, 22% está em Áreas de Proteção Permanente, e 78% em Reservas Legais”, afirmou Machado.

Roberto Resende, Iniciativa Verde, falou sobre a implementação do Programa de Regularização Ambiental em São Paulo. Resende apresentou o histórico do PRA paulista, em processo conturbado e emperrado pela aprovação de uma norma incompatível com o Código Florestal federal e pela judicialização daí decorrente. “A definição dos critérios para aplicação da Lei deve garantir o melhor ganho ambiental e social, aliado às questões econômicas, para que, caso essa influência venha a se confirmar, que seja positiva” comenta Resende.

No último bloco, foi lançada a cartilha Caminhos Sustentáveis da Pecuária, desenvolvido pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, com o objetivo de dialogar com o produtor rural, por meio de uma linguagem clara para difundir a compreensão das normas do Novo Código Florestal. Segundo Pedro Burnier, a cartilha é uma ferramenta voltada ao produtor, que deseja se regularizar e produzir de modo sustentável, e atender ao consumidor, que busca por produtos livres de desmatamento. “É uma cartilha que traz ao produtor rural coisas positivas com a adequação à lei, mas também alguns alertas sobre o não cumprimento, como as multas”.

O jornalista Reinaldo Canto, Envolverde e Carta Capital, apresentou os obstáculos em se comunicar temas ambientais no Brasil. O desafio de colocar na pauta da sociedade a proteção das florestas, como condição primordial para o nosso futuro, é cada vez mais urgente. Segundo Canto, “se a perda da biodiversidade já deveria ser suficiente para sensibilizar jornalistas, as mudanças climáticas e a crise hídrica evidenciam ainda mais a necessidade da preservação e da recuperação florestal, cabendo aos nossos veículos de comunicação abordagens permanentes”.

As apresentações, resultados da pesquisa Consumo e o Código Florestal, o livro Uma breve História do Código Florestal – Parte 1, o documento Compensação Prioritária:  fundamental para ampliar os ganhos em conservação com a implantação do Código Florestal, a cartilha Caminhos Sustentáveis da Pecuária e o vídeo completo do encontro já estão disponíveis no site do Observatório.

 

Sobre o Observatório do Código Florestal: Criado em 2013, o Observatório do Código Florestal é uma rede formada por 28 instituições, que monitora a implantação da nova Lei Florestal (Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012), com a intenção de gerar dados e massa crítica que colaborem com a potencialização dos aspectos positivos e a mitigação de seus aspectos negativos da nova Lei Florestal e evitar novos retrocessos.

Acordo permite acesso do Ministério Público ao Cadastro Ambiental Rural

Acordo permite acesso do Ministério Público ao Cadastro Ambiental Rural

Através de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) dará acesso aos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) ao Ministério Público, cadastrando administradores no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar).

O ACT foi assinado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), SFB e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O CNMP tem em sua composição a participação de membros dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais. Sua Comissão de Meio Ambiente tem diversos representantes com relevantes trabalhos em prol da implantação da Lei Florestal, como Cristina Graça (MP/BA), Tatiana Serra (MP/SP), Alberto Vellozo Machado (MP/PR), Alexandre Gaio (MP/PR), Luiz Fernando Barreto Júnior (MP/MA), Sílvia Cappelli (MP/RS), entre outros. O CNMP poderá firmar parcerias com Estados, Municípios, órgãos públicos e instituições privadas e do terceiro setor nacionais ou internacionais, para execução de atividades operacionais, visando ao alcance dos objetivos e metas do acordo, observando os limites legais.

A notícia é excelente, o acesso aos dados pelo Ministério Público pode contribuir para o levantamento de inúmeros ilícitos ambientais, bem como pode conduzir a construção de acordos e ações, que viabilizem a implantação do Código Florestal.

Contudo, o ACT, em muitos momentos, cita supostos “sigilos fiscais”, que recairiam sobre os dados do CAR e ainda impõe a observância pelo CNMP de Instrução Normativa do MMA, que dispõe sobre esse sigilo.

O Observatório do Código Florestal apoia a atuação dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais, bem como o desenvolvimento dos trabalhos pelo MMA e pelo SFB, para a implantação do Código Florestal, e destaca que a transparência tem importância fundamental na efetividade da implantação do Código Florestal, na geração de benefícios para toda a sociedade, na constituição e manutenção do Estado Democrático de Direito.

Clique aqui para ver a íntegra do acordo. Para ler a notícia no site do Conselho Nacional do Ministério Público, clique aqui.

Ministério Público terá acesso aos dados do Cadastro Ambiental Rural

Ministério Público terá acesso aos dados do Cadastro Ambiental Rural

Através de um Acordo de Cooperação Técnica, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) dará acesso aos dados do CAR ao Ministério Público, cadastrando administradores no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar). O ACT foi assinado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), SFB e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O CNMP tem em sua composição a participação de membros dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais. Sua Comissão de Meio Ambiente tem diversos representantes com relevantes trabalhos em prol da implantação da Lei Florestal, como Cristina Graça (MP/BA), Tatiana Serra (MP/SP), Alberto Vellozo Machado (MP/PR), Alexandre Gaio (MP/PR), Luiz Fernando Barreto Júnior (MP/MA), Sílvia Cappelli (MP/RS), entre outros. O CNMP poderá firmar parcerias com Estados, Municípios, órgãos públicos e instituições privadas e do terceiro setor nacionais ou internacionais, para execução de atividades operacionais, visando ao alcance dos objetivos e metas do acordo, observando os limites legais.

A notícia é excelente, o acesso aos dados pelo MP pode contribuir para o levantamento de inúmeros ilícitos ambientais, bem como pode conduzir a construção de acordos e ações que viabilizem a implantação do Código Florestal. Contudo, o ACT, em muitos momentos, cita supostos “sigilos fiscais”, que recairiam sobre os dados do CAR e ainda impõe a observância pelo CNMP de Instrução Normativa do MMA.

O Observatório do Código Florestal apoia a atuação dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais, bem como o desenvolvimento dos trabalhos pelo MMA e pelo SFB, para a implantação do Código Florestal e destaca que a transparência tem importância fundamental na efetividade da implantação do Código Florestal, na geração de benefícios para toda a sociedade e na constituição e manutenção do Estado Democrático de Direito.

Saiba mais: Conselho Nacional do Ministério Público

Livro: Uma Breve História da Legislação Florestal Brasileira – Primeira parte (1500 – 1979)

Em “Uma breve História do Código Florestal – Parte 1“, os autores apresentam de forma concisa, a história da legislação florestal brasileira, desde suas raízes em Portugal até 1979. O livro explora uma questão transversal, com relevância nas discussões atuais: a não implantação efetiva da Lei, e questiona: seriam os Códigos de 1934 e 1965 ideias fora do lugar? Descoladas da realidade e demandas da população brasileira? Uma história do passado que pode ajudar a mudar o futuro.

Elaboração: Lagesa (UFMG) e OCF

Palavras-chave: Legislação – História

Workshop Código Florestal, a lei pegou!

Encontro apresentou resultados da pesquisa do IBOPE, lançamento de livro e cartilha. organizado pelo Observatório do Código Florestal, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, WWF-Brasil, Iniciativa Verde e Envolverde/Carta Capital, e contou com o apoio da Norad.

Materiais: Workshop Código Florestal, a lei pegou!

Materiais: Workshop Código Florestal, a lei pegou!

Na manhã de terça-feira, dia 12 de junho de 2018, o Observatório do Código Florestal (OCF) com o apoio do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, WWF-Brasil, Iniciativa Verde e Envolverde/Carta Capital, realizou em São Paulo o workshop “Código Florestal, a Lei que pegou!” apresentando dados atuais e propostas para o futuro da Lei de proteção da vegetação natural brasileira. As apresentações, resultados da pesquisa do IBOPE, livro com a história do Código Florestal, cartilha sobre pecuária sustentável, e o vídeo completo do encontro já estão disponíveis no site do Observatório.

Materiais

Vídeo do Workshop


Parte 2 do vídeo, clique aqui.

Sobre o Observatório do Código Florestal: Criado em maio de 2013, por 7 ONGs e hoje com 28 membros, o Observatório tem como objetivo monitorar a implementação da nova Lei Florestal em todo o país, na tentativa de mitigar os aspectos negativos do novo Código e evitar novos retrocessos. Além de gerar dados, informações e análises, promover a transparência e aumentar o potencial de debates informados sobre o novo Código Florestal dentro da sociedade, o Observatório reúne e divulga informações sobre a regularização ambiental das propriedades rurais no Brasil.

Avaliação das Oportunidades de Restauração de Paisagens Florestais para o Estado de Pernambuco

A aplicação do ROAM (Metodologia de Avaliação de Oportunidades de Restauração) em Pernambuco teve como referência o Protocolo de Intenções, firmado entre a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas), a Associação IUCN Brasil (União Internacional para Conservação da Natureza) e o Cepan (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste), em novembro de 2015.

Elaboração: Cepan

Palavras-chave: Paisagens Florestais – Restauração – Uso e ocupação da terra – Análises dos custos e benefícios