[Encerrada] Chamada Aberta para Prestação de serviço de facilitação e registro de reunião da rede do Observatório do Código Florestal

Chamada Aberta para Prestação de serviço de facilitação e registro de reunião da rede do Observatório do Código Florestal

O Observatório do Código Florestal está com uma chamada aberta para contratação de pessoa jurídica para prestação de serviços de facilitação e registro das informações detalhadas dos debates sobre federalismo nas políticas ambientais brasileiras e construção de propostas para um guia definitivo para implantação dos Programas de Regularização Ambiental (PRA) nos estados, visando a efetiva implantação da Lei de Proteção da Vegetação Natural (Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, conhecida por Código Florestal Brasileiro). 

As propostas deverão ser enviadas com o assunto: “TDR FACILITAÇÃO REUNIÃO REDE OCF 2023 – Nome da pessoa jurídica”, para o e-mail contato@observatorioflorestal.org.br; 

A proposta deve incluir: (1) portfolio para comprovação, da experiência exigida, (2) proposta técnica e (3) proposta comercial; 

Data limite para envio: 10/10/2023: Envios após esta data não serão considerados; 

A seleção será baseada em processo de pontuação, considerando preço e proposta técnica. 

Dúvidas sobre o processo seletivo poderão ser enviadas para o e-mail: contato@observatorioflorestal.org.br 

 

[Conjur] Regulação do mercado de carbono no país deve aumentar eficácia do Código Florestal

[Conjur] Regulação do mercado de carbono no país deve aumentar eficácia do Código Florestal

Fonte: Conjur / por Alex Tajra

25 de setembro – A regulamentação do mercado de carbono no Brasil, formalmente conhecido como Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), deve afetar não apenas os setores que terão de se adaptar aos limites de emissão de poluição, mas também os potenciais vendedores de créditos, em especial aqueles provenientes do uso da terra, ou seja, de sua preservação.

Em entrevista ao Conjur, a secretária executiva do Observatório do Código Florestal (OCF), Roberta del Giudice, falou sobre a conexão entre mercado de carbono e o Código Florestal. Para ela, “esta relação se dá em um momento em que grande parte das florestas não protegidas, que poderiam ser desmatadas, está em propriedades privadas. E como eu garanto que essas áreas que podem ser desmatadas continuam como floresta? Permitindo que elas gerem renda”, diz Roberta del Giudice, advogada e secretária-executiva do OCF.

“Hoje não se tem vontade política de implementar o código. Os latifundiários atuam para que ele não seja aplicado. Agora, o dia em que a validação do CAR tiver o potencial de gerar recursos, de trazer recursos para esses produtores que cumprem a lei, aí a gente vai ter uma pressão para que os governos estaduais realmente implementem a lei. E essa pressão pode ser derivada da regulamentação do mercado de carbono.”

Para ler a reportagem completa, acesse: Conjur

[Projeto Colabora] Brasil quer alavancar recuperação de terras degradadas

[Projeto Colabora] Brasil quer alavancar recuperação de terras degradadas

Ações independentes se somam a estratégias do governo brasileiro para restaurar 12 milhões de hectares até 2030

Fonte: Diálogo Chino / por Kevin Damasio

21 de setembro – Enquanto isto, o Brasil retoma ainda lentamente as iniciativas. Em maio, o governo instaurou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico Sustentável, um colegiado composto por representantes da sociedade civil e do governo. E em agosto, o conselho criou um grupo de trabalho voltado à recuperação de terras.

Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a meta do grupo é apresentar ao presidente Lula, até o início de outubro, “propostas concretas” para recuperar áreas degradadas, a fim de “aumentar a área produtiva e reflorestada no país”.

Em junho, foi lançada ainda a nova versão do Plano Safra, programa do governo de apoio a médios e grandes produtores agropecuários. Nele, há a oferta de crédito de quase R$ 7 bilhões para recuperar áreas degradadas e outras iniciativas de restauração.

Porém, há falhas importantes na concessão de crédito público rural, segundo Roberta Del Giudice, secretária-executiva do Observatório do Código Florestal, rede que monitora a implementação da lei de 2012 de proteção dos biomas. O observatório calcula haver mais de 20 milhões de hectares desmatados ilegalmente nas propriedades rurais brasileiras — terras que os proprietários são obrigados a recuperar. Mas isso não tem impedido a obtenção de novos empréstimos.

A advogada ambiental cobra que não haja “concessão de crédito público para, pelo menos, quem não cumpre essa lei”. Senão, diz ela, “não teremos, efetivamente, volume na restauração”.

Para atingir os objetivos também será preciso lidar com as causas do problema. Em florestas úmidas, como a Amazônia e a Mata Atlântica, o fogo, a exploração madeireira e a fragmentação da paisagem são os principais vetores de degradação do solo, diz Ane Alencar. Já nas savanas do Cerrado, os maiores responsáveis são a monocultura de grãos e a pecuária extensiva.

Para ler a reportagem completa, acesse: Projeto Colabora

Entrevista: Valéria Maria Macoratti – “Nossa Fazenda” 

Entrevista: Valéria Maria Macoratti – “Nossa Fazenda” 

Turismo de Base Rural é opção que gera renda e mantém as florestas em pé 

No extremo sul da capital de São Paulo, saindo do grande “cinza” da cidade, está o bairro de Parelheiros, considerado patrimônio ambiental, localizado entre as Áreas de Proteção Ambiental (Apas) Bororé-Colônia e Capivari-Monos. A região abriga diversas nascentes, córregos e ribeirões, responsáveis por drenar água para as represas Guarapiranga e Billings, que abastecem um terço do município de São Paulo.  

Parelheiros compreende remanescentes importantes de Mata Atlântica, mantendo grande parte de vegetação nativa do bioma, com biodiversidade preservada e área de produção agrícola. Acolhe também pessoas, que decidiram trocar a vida corrida para viver mais próximo da natureza, e que incentivam, por meio do turismo de base rural, que outros aproveitem um pouco desse patrimônio natural.  

Essa é a história de Valéria Maria Macorati, 55 anos, proprietária do imóvel rural “Nossa fazenda”, localizado em Parelheiros. Em celebração ao dia mundial do Turismo, data estabelecida pela Organização Mundial do Turismo (OMT), o Observatório do Código Florestal (OCF) foi explorar e conhecer de perto o Turismo de Base Rural, que atua com a valorização e preservação do patrimônio natural e cultural enquanto promove a conscientização ambiental e o bem-estar das comunidades locais. 

Em um percurso de 40 km, saindo de São Paulo, chega-se ao sítio, que integra o projeto de agroturismo “Acolhendo em Parelheiros”, projeto desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comuntário (Ibeac) em parceria com a Associação de Agricultores Acolhida na Colônia. 

O espaço de 4 mil metros², Valéria divide entre as suas plantações e animais, como cães, gatos, coelhos, galinhas, gansos e jumentos. Para recepcionar quem chega, uma bananeira e um pé de mamona. A Nossa Fazenda possui duas casas, uma para morar e outra para os hóspedes. No trajeto pelo imóvel, o visitante se depara com peculiaridades como banheiro seco, biodigestor, e uma parte da propriedade tomada por Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) como a Ora Pro-Nóbis.  

Além da agricultura, o sítio oferece o turismo de base rural, com atividades como minitrilha, visita à horta com análise da técnica de mandala, plantio, oficina de pintura com tinta de terra, estudo do meio, e reflexões acerca das diferenças entre o urbano e rural. 

Andando pela propriedade Valéria ressalta que é “signo terra, uma mulher completamente ligada à terra” e conta um pouco sobre como se transformou em uma guia da natureza.

Como tudo começou? 

Em 2007, eu e a Vânia, minha companheira, decidimos nos mudar para região, para cuidar dos nossos 15 cachorros de rua. Começamos na agricultura e amigos da região começaram a pedir algumas verduras, o sucesso foi grande. Fazendo cursos de agricultura orgânica e agricultura biodinâmica foi que descobri como os alimentos eram produzidos a partir da Revolução Verde, meu mundo caiu e vi que tinha bastante para aprender. 

E como o turismo rural se tornou uma realidade no sítio? 

Em 2012 fui contatada para receber os alunos de uma escola de São Paulo para conhecer a propriedade. Recebíamos as crianças com café da manhã, almoço e lanche. Com o aumento do número de visitantes, e por meio de uma rede de contatos, despertamos para a ideia de que Parelheiros tinha potencial para receber um projeto parecido com o “Acolhida na Colônia”, de Santa Catarina. O projeto do sul emprestava dinheiro a proprietários que estavam abandonando suas terras para que desenvolvessem o turismo rural nos imóveis.  

Essa experiência mostrou a nós, agricultores de São Paulo, como podemos revolucionar a vida dos agricultores familiares. Parelheiros se tornou um polo de ecoturismo, o que contribui muito para o trabalho de preservação ambiental. A ideia não é torná-los donos de resorts, mas proporcionar uma renda extra para sustento. Para fazer parte da Acolhida em São Paulo, é necessário ser agricultor familiar orgânico, que não utiliza agrotóxicos e que tenha uma consciência ambiental. 

Todos na região de Parelheiros têm essa consciência?  

Parelheiros está localizado dentro de uma APA. Fazendo parte do conselho gestor, que administra a nossa região, a gente entendia que seríamos os protetores, mas estamos vivendo em meio ao descaso das autoridades públicas. Já segui caminhões carregados com toras de árvores, liguei para a polícia, forneci a placa do veículo, mas nada aconteceu. Eu disse, não quero ser uma Marielle [Franco].  

Por aqui também colocam alguém dentro dos terrenos, descobrem a documentação, e com isso, entram com usucapião. Cercam o lugar, cortam as árvores, constroem casas e colocam placas de “vende-se”. 2Outro problema está nas Áreas de Preservação Permanente (APPs). Tratam como se fossem lixo. São áreas de preservação permanente, e não posso cortar uma árvore a menos de tantos metros, mas despejam esgoto nos rios e desmatam as árvores que protegem essas águas. No final, parece o Rio Pinheiros. 

Vendo tudo isso, compensa manter a floresta em pé? 

Meu coração deseja preservar mais um lar na mata. Eu gostaria muito de ter mais dinheiro para poder comprar todas as propriedades e impedir mais desmatamento. Quando comprei essa, e fui fazer o CAR (Cadastro Ambiental Rural), a mulher falou: “Está ficando muito mais verde.” Eu disse que sim, já plantei mais de 100 árvores, Araucária, Ipê, Castanha do Maranhão. 

Fizemos o CAR pensando também em participar do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais). Mas meu PSA não foi liberado pois disseram que minha propriedade não atendia ao tamanho mínimo. 

E o que você perde por não ter aderido a este benefício? 

Pelo que ouvi dá dor de cabeça. Era para ser um auxílio de 20 mil reais por ano, mas você precisa de tantos documentos e comprovar tanta coisa que se torna inviável.  Então você é incentivado pela dificuldade, pelo caminho do desmatamento, mas não é o que eu vou fazer.  

Parelheiros tem uma característica única: é uma verdadeira Amazônia dentro da cidade de São Paulo. Se for destruída, afeta o clima da cidade e de outros lugares. Não haverá água para abastecimento, pois um quarto da água de São Paulo vem de Parelheiros, das represas Billings e Guarapiranga.

 

Por: Anna Francischini 

Edição: Simone Milach 

Fotos: Anna Francischini 

[O Eco] Brasil quer alavancar recuperação de terras degradadas

[O Eco] Brasil quer alavancar recuperação de terras degradadas

Fonte: O Eco/Por: Kevin Damasio

Ações independentes se somam a estratégias do governo brasileiro para restaurar 12 milhões de hectares até 2030

06 de setembro – Em entrevista ao jornal O Eco, a secretária executiva do Observatório do Código Florestal (OCF), rede que monitora a implementação da lei de 2012 de proteção dos biomas, falou sobre as falhas na concessão de crédito público rural. O observatório calcula haver mais de 20 milhões de hectares desmatados ilegalmente nas propriedades rurais brasileiras – terras que os proprietários são obrigados a recuperar. Mas isso não tem impedido a obtenção de novos empréstimos.

A advogada ambiental cobra que não haja “concessão de crédito público para, pelo menos, quem não cumpre essa lei”. Senão, diz ela, “não teremos, efetivamente, volume na restauração”.

Para atingir os objetivos também será preciso lidar com as causas do problema. Em florestas úmidas, como a Amazônia e a Mata Atlântica, o fogo, a exploração madeireira e a fragmentação da paisagem são os principais vetores de degradação do solo, diz Ane Alencar. Já nas savanas do Cerrado, os maiores responsáveis são a monocultura de grãos e a pecuária extensiva.

Para ler a reportagem completa, acesse O Eco.

BOLETIM DO BALANÇO DO CÓDIGO FLORESTAL – 2A EDIÇÃO

BOLETIM DO BALANÇO DO CÓDIGO FLORESTAL – 2A EDIÇÃO

O Boletim Informativo do Balanço do Código Florestal apresenta estimativas do balanço ambiental dos estados brasileiros e dos biomas Amazônia e Cerrado tendo como base dados originários do Cadastro Ambiental Rural (CAR). No Boletim é possível visualizar, de forma quantificada, os esforços que devem ser empreendidos para o cumprimento da norma ambiental brasileira.

Vontade política pode ser machado ou enxada

Vontade política pode ser machado ou enxada 

Linha do tempo do desmatamento apresentada pelo último estudo do MapBiomas reflete mudanças nas orientações políticas ao longo dos anos.

 

Um levantamento divulgado na última quinta-feira (31) pelo Mapbiomas, apontou que o Brasil perdeu 96 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1995 e 2022. A redução de 75% para 64% de florestas nativas, nos últimos 27 anos, em todos os biomas brasileiros, equivale a perda de 2,5 vezes o tamanho da Alemanha.

Só no Bioma Amazônia foram perdidos para uso alternativo da terra 52 milhões de hectares, desde 1995. Segundo o Mapbiomas, aproximadamente um terço de todo território nacional é ocupado pelo setor agropecuário, e na Amazônia esse setor ocupa 98% da área desmatada.

O estudo ainda revela uma linha do tempo, na qual a maior taxa de desmatamento da história concentra-se no início do período estudado — de 1995 a 2007. Também indica que nos últimos 10 anos (2013 a 2022) a perda de vegetação nativa no Brasil vem acelerando. Contudo, a informação mais preciosa remete ao período de 2008 a 2012, quando houve uma redução significativa nas taxas de desmatamento. O que aconteceu nesse período? Como o país conseguiu esse resultado expressivo? Por qual motivo voltou a crescer e o que é preciso para reduzir novamente essas taxas? 

Gráfico apresentado no lançamento do Mapbiomas

No Livro “Uma Breve História da Legislação Florestal Brasileira”, lançado pelo Observatório do Código Florestal, é possível encontrar algumas dessas respostas.  Segundo os autores, os anos de 2008 e 2009 são marcados pela criação de duas políticas importantes: o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), o Plano Amazônia Sustentável (PAS), em 2008, e a Política Nacional da Mudança do Clima (PNMC – Lei nº 12.187), em 2009. Além disso, foram investidos cerca de US$1 bilhão por ano para a conservação e fiscalização ambiental. Paralelamente, a taxa de desmatamento na Amazônia caiu de 27.772 km2 em 2004 para 4.571 km2 em 2012, segundo dados do Inpe. 

As tentativas de enfraquecer o Código Florestal não avançaram no Congresso por falta de apoio político do Poder Executivo, com articulação de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Mesmo após a sua saída, tanto Carlos Minc quanto Isabela Teixeira, que a sucederam, obtiveram resultados ambientais significativos, com destaque a redução do desmatamento ao mínimo histórico em 2012. A vontade política era clara e poderosa para conter a perda da vegetação nativa.

Mas o cenário promissor à proteção florestal, contudo, começou a despertar fortes reações do setor do agronegócio e os governos Rousseff (2010-2016) e Temer (2016-2018) voltavam-se aos interesses desse grupo econômico. O resultado foi a publicação do novo Código Florestal de 2012. Os impactos da mudança da Lei foram substanciais, com redução de 58% da área desmatada ilegalmente a ser restaurada. Comprovada a possibilidade de reduzir a proteção legal das florestas, nem a meta ambiciosa de redução de emissões de gases de efeito estufa para o Acordo de Paris em 2015 foi capaz de estancar o desmatamento. A vontade política passou a ser machado.

Desde então, os números do Mapbiomas demonstram que nos últimos dez anos o desmatamento voltou a crescer. A aceleração da perda da vegetação nativa se contrapõe ao pé no freio da implementação do Código Florestal. 

Somada à expectativa de novas flexibilizações da legislação, a morosidade do Código Florestal é o reflexo da falta de compromissos políticos dos governos federal e estaduais na fiscalização e na implantação da Lei, que integra inúmeros obstáculos reais ou inventados para a defesa dos interesses de uma minoria. 

Para evitar cenários irreversíveis, como o ponto de não retorno da Amazônia, é preciso inverter o ritmo do avanço do desmatamento versus cumprimento da Lei de Proteção da Vegetação Nativa do país. É mais do que urgente dissolver os obstáculos e alavancar mecanismos que permitam acelerar a implantação da Lei para frear, de uma vez por todas, o desmatamento.

 

Roberta del Giudice, secretária executiva do Observatório do Código Florestal

Colaboraram no texto Simone Milach e Anna Francischini

 

Saiba mais: Uma Breve História da Legislação Florestal Brasileira

 

[Apremavi] Organizações analisam resultados parciais e próximas ações para implementar o Código Florestal

[Apremavi] Organizações analisam resultados parciais e próximas ações para implementar o Código Florestal

Fonte: Apremavi 

No âmbito do Observatório do Código Florestal, um grupo de oito Organizações da Sociedade Civil brasileira trabalham de forma organizada desde 2021 para que a legislação em prol das florestas seja respeitada e efetivada.

Com o alcance da metade do tempo previsto para a execução do projeto – que deve atuar até 2025 – o consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal esteve reunido com representantes da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD), que apoia a iniciativa. A agenda em Brasília na última semana buscou avaliar os resultados do projeto obtidos até o presente, compartilhar os desafios enfrentados na execução e articular a continuidade das ações para os próximos anos.

Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas e diretora da Apremavi, apresentou os destaques da atuação da instituição no projeto. A também co-fundadora da Apremavi aproveitou a viagem para se reunir com representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental.

Para Simone Milach, coordenadora de projetos do Observatório do Código Florestal, esse encontro foi uma oportunidade importante para o grupo compartilhar e avaliar as ações já desenvolvidas, ajustar rumos e debater estratégias futuras.

Algumas das ações desenvolvidas pela Apremavi desde 2021: 

Desenvolvimento de uma nova versão do Portal Ambiental, ferramenta que reúne recursos para o planejamento da recuperação ambiental conforme previsto no Código Florestal. Todas as informações serão sistematizadas pelo sistema de modo a gerar o Projeto de Recomposição de Áreas Degradadas ou Alteradas (PRADA), previsto na lei.

Reuniões com órgãos governamentais e com o setor privado visando parceria para uso do portal e a para adequação ambiental de propriedades de forma sistêmica entre os produtores rurais associados, respectivamente.

Em Santa Catarina, 32 propriedades atendidas pelos técnicos da Apremavi, que realizaram a análise do CAR e elaboraram o mapa de adequação ambiental de forma gratuita.

Para ler o texto completo, acesse Apremavi.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer, Miriam Prochnow e Simone Milach
Foto de capa: Plântulas do Viveiro Jardim das Florestas. Crédito: Vitor Lauro Zanelatto

7ª edição da Marcha das Margaridas leva mais de 100 mil mulheres a Brasília

7ª edição da Marcha das Margaridas leva mais de 100 mil mulheres a Brasília 

Na mesma semana em que mulheres do campo reivindicam o fim da violência contra mulher, uma das principais lideranças quilombolas do país é assassinada 

18 de agosto – Mais de 100 mil mulheres do campo, floresta, das águas e cidade se reuniram em Brasília, nesta quarta-feira (16), para 7ª edição da Marcha das Margaridas. Com o tema “Pela reconstrução do Brasil e pelo bem viver”, as participantes apresentaram suas demandas; entre elas, poder e participação política das mulheres, proteção da natureza com justiça ambiental e climática e vida saudável com agroecologia e segurança alimentar e nutricional 

A Marcha que acontece a cada 4 anos, sempre em agosto, leva o nome de Margarida Maria Alves, líder sindical brasileira que se destacou pela luta contra a exploração e abusos do trabalho no campo e em defesa dos direitos dos trabalhadores rurais. Margarida foi assassinada no dia 12 de agosto de 1983, a mando de fazendeiros da região onde vivia, gerando comoção nacional. 

Reinvindicações 

Com organização da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), o caderno com as pautas da marcha de 2023 foi entregue em evento que contou com a participação de 13 ministras e ministros de estado, no Palácio do Planalto, no dia 21 de junho. 

As demandas foram divididas em 13 eixos políticos, sendo: 

Democracia participativa e soberania popular; 

Poder e participação política das mulheres; 

Vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo; 

Autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade; 

Proteção da natureza com justiça ambiental e climática; 

Autodeterminação dos povos, com soberania alimentar, hídrica e energética; 

Democratização do acesso à terra e garantia dos direitos territoriais e dos maretórios; 

Direito de acesso e uso da biodiversidade, defesa dos bens comuns; 

Vida saudável com agroecologia e segurança alimentar e nutricional; 

Autonomia econômica, inclusão produtiva, trabalho e renda; 

Saúde, Previdência e Assistência Social pública, universal e solidária; 

Educação Pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo; 

Universalização do acesso à internet e inclusão digital.

Em discurso durante a marcha, o presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva, assinou oito decretos direcionados a agricultura familiar, que de acordo com ele “convergem para a autonomia econômica e inclusão produtiva das mulheres rurais”. 

Entre eles, um que dá preferência para famílias chefiadas por mulheres na fila para assentamento na reforma agrária. Outro decreto foi o do Programa Quintais Produtivos, voltado para a promoção da segurança alimentar e nutricional e da autonomia econômica das mulheres rurais. 

Violência contra a mulher rural 

A violência contra as mulheres do campo é um dos pontos centrais da Marcha das Margaridas. De acordo com Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, no último ano 1,9% dos feminicídios e 3,3% das demais mortes violentas de mulheres no Brasil ocorreram em regiões rurais do país.  

Na última quinta-feira (17), apenas um dia depois da marcha, mais uma mulher se tornou vítima da violência rural. Bernadete Pacífico, uma das mais importantes líderes quilombolas do estado da Bahia, e coordenadora da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) foi assassinada a tiros com 72 anos, quando dois homens armados entraram no imóvel onde ela estava e efetuaram os disparos com arma de fogo 

Bernadete Pacífico foi secretária de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho (BA) e liderava o Quilombo Pitanga dos Palmares, formado por cerca de 289 famílias, responsável por uma associação onde mais de 120 agricultores produzem e vendem farinha para vatapá, além de frutas e verduras. A Yalorixá Bernadete, como também era conhecida, lutava por esclarecimentos e solução em caso do assassinato do seu filho, Flávio Gabriel Pacífico, o Binho do Quilombo, assassinado em 2017. 

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam que no primeiro semestre de 2022, 74 mulheres foram vítimas de violência em conflitos no campo. Entre as formas de violência mais frequentes estão ameaças de morte, intimidação e tentativa de assassinato.  

Algumas violências contra a ocupação e a posse passaram a ser registradas pela CPT a partir de 2019, sendo uma delas a contaminação por agrotóxico, a omissão/conivência e o desmatamento ilegal. 

O relatório também evidencia que quilombolas são as principais vítimas de humilhação no campo, sofrida sobretudo por pessoas do sexo feminino. Na maioria dos casos, ameaça de morte e intimidação representaram, respectivamente, 31,25% e 13,54% das violências sofridas por mulheres, seguidas de prisão (9%) e criminalização (8%). Mortes em consequência de conflitos (5%) ocupam a sexta colocação e tentativa de assassinato (5%) aparece na sequência. 

 

Desigualdade  

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as mulheres representam 45% da mão de obra agrícola em países em desenvolvimento, como o Brasil. Apesar de representarem pouco menos da metade de toda força no setor da agricultura, os dados mostram que as trabalhadoras e moradoras do campo enfrentam desigualdade social, política e econômica. Elas detêm a posse de 35% das terras, recebem 10% dos créditos e apenas 5% da assistência técnica.    

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017, apontam que o número de mulheres a frente de propriedades rurais aumentou 38% em todo Brasil, entre 2006 e 2017. Apesar desse avanço, elas ainda são minoria entre os proprietários: no Brasil 19% dos estabelecimentos rurais têm mulheres como proprietárias.  

Em entrevista ao portal de notícias, Agência Brasil, a assentada rural Alcimeire Rocha Morais conta que levou o filho de José Pietro, de 6 anos, para conhecer a capital do país e lutar pelo direito à terra. “A gente mora em assentamento. Ainda não tem a terra no nome, mas tem o círculo da terra onde pode trabalhar, criar as coisas da gente, fazer a roça. Só que não temos muita condição para cuidar da terra. Só plantamos as coisas boas e criamos os bichos: galinha, porco. Isso”    

Já a agricultora Maria Francisca da Silva Alcântara, de Piranhas – Alagoas, parou os cuidados com a plantação de arroz e feijão para estar presente na Marcha das Margaridas. “Viemos buscar os projetos para as agricultoras que ficaram nas comunidades, para plantar as sementes sem orgânicos. É tudo sem veneno. Força, fé e coragem – essa é a receita para vencer batalhas.”   

A agroecologia, uma das demandas das mulheres presentes na marcha, é uma forma de agricultura sustentável, que não danifica o solo e com o uso mínimo de produtos químicos, como agrotóxicos. 

 

Texto: Anna Francischini 

Edição: Aldrey Riechel 

 Imagem: Contag

 

Governo abre consulta pública para dar mais transparência a temas escolhidos pela sociedade para o 6º Plano de Ação Nacional

Governo abre consulta pública para dar mais transparência a temas escolhidos pela sociedade para o 6º Plano de Ação Nacional

Um dos temas disponíveis para votação é o Controle social da implementação do Código Florestal, com potencial para o combate ao desmatamento no país. 

 14 de agosto – Está aberta a consulta pública para a priorização dos temas que vão integrar o 6º Plano Nacional de Governo Aberto. Os 4 temas mais votados serão debatidos por representantes do Governo e da sociedade civil na construção do plano. Esses especialistas se reunirão em oficinas para decidir como os compromissos devem ser cumpridos.
 

O Plano de Ação Nacional é um documento em que cada país deve especificar quais são os seus compromissos, de acordo com os princípios de governo aberto de: transparência, participação social, accountability (responsabilização e prestação de contas), combate à corrupção e inovação. 

Controle social da implementação do Código Florestal 

A implementação do Código Florestal tem o potencial de conter o desmatamento no Brasil, mas nos últimos dez anos, apenas 2% das propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), ferramenta de monitoramento e fiscalização de desmate nos imóveis rurais de todo país, foram integralmente analisadas.  

Um dos caminhos para acelerar este processo é por meio da transparência e definição de espaços para construção de soluções. 

Desta forma, o Grupo de Trabalho (GT) de Transparência do Observatório do Código Florestal (OCF), está indicando os temas “40: Controle social da implementação do Código Florestal (Meio Ambiente)” e “65: Transparência e rastreabilidade na cadeia produtiva da pecuária (Transparência Pública)”. 

Consulta Pública 

A votação fica disponível até 21 de agosto e até 4 temas podem ser selecionados: 

– Acesse o portal Participa+ Brasil;  

– Realize seu login ou cadastre-se no gov.br; 

– No final da página, selecione os temas escolhidos.