Transparência e acesso à informação do Código Florestal nos estados brasileiros em 2025

40% das informações ambientais relacionadas à implementação do Código Florestal nos estados brasileiros e no Distrito Federal estavam indisponíveis em 2025. A informação consta na nota técnica denominada “Transparência e acesso à informação do Código Florestal nos estados brasileiros em 2025”.

O documento foi elaborado pelo Observatório do Código Florestal (OCF) em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV). Nele, foram analisadas a disponibilidade de 12 informações relativas à regularização ambiental nos sites dos órgãos estaduais de meio
ambiente e 135 pedidos de informação enviados entre julho e setembro de 2025.

Guia da Lei de proteção da Vegetação Nativa

A Publicação reúne informações essenciais sobre regras ambientais, regularização de imóveis rurais e os desafios que mantêm a Lei de Proteção da Vegetação Nativa longe da efetiva implementação

O guia apresenta as informações da Lei nº 12.651 de 2012 em linguagem acessível ao público não especializado. O objetivo é ampliar o entendimento da sociedade sobre a legislação ambiental e seus impactos diretos sobre a produção de alimentos, a água, o clima e a economia do país.

Mais de uma década após a aprovação da Lei, a sua aplicação segue ainda incompleta. A análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) avança lentamente nos estados, e muitos Programas de Regularização Ambiental (PRA) ainda não funcionam na prática. O guia parte desse diagnóstico para explicar como a legislação foi pensada, quais instrumentos criou e por que sua implementação é decisiva para conter o desmatamento ilegal e promover a recuperação de áreas degradadas.

O guia está organizado em quatro eixos centrais que ajudam a compreender o Código Florestal para além do juridiquês. O primeiro aborda o equilíbrio entre produção e conservação, explicando, a partir do histórico da lei, como o mecanismo busca compatibilizar a atividade agropecuária com a proteção da vegetação nativa. Em seguida, o material amplia o olhar ao mostrar que conservar vai muito além da floresta, detalhando os benefícios da vegetação nativa para o campo e para a cidade.

O terceiro eixo apresenta as principais regras da legislação, esclarecendo o que mudou com a lei de 2012 e como funciona o processo de regularização ambiental por meio de instrumentos como Áreas de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal (RL), CAR e PRA. Por fim, o guia trata dos desafios para o futuro presente, analisando os entraves políticos e institucionais que ainda impedem a plena implementação do Código Florestal e apontando caminhos para que a lei seja efetivamente aplicada nos territórios.

A publicação apresenta, de forma didática e visual, os conceitos de APPs, RL e áreas consolidadas, além de reunir dados sobre desmatamento, passivos ambientais e restauração florestal no país. Ao longo do material, o leitor também encontra explicações sobre a relação direta entre a manutenção da vegetação nativa, a segurança hídrica, a estabilidade do clima, a produtividade agrícola, a biodiversidade e a saúde da população.

Além dos entraves institucionais apresentados ao longo da publicação, o guia chama atenção para a pressão política constante por mudanças na legislação que fragilizam a proteção da vegetação nativa. Desde 2012, o Código Florestal tem sido alvo recorrente de projetos de lei que ampliam exceções, reduzem exigências ambientais ou enfraquecem mecanismos de controle e fiscalização.

O Guia da Lei de Proteção da Vegetação Nativa do Brasil está disponível gratuitamente.

Boletim do Termômetro do Código Florestal – 2024-2025

O Observatório do Código Florestal (OCF) lança oficialmente a nova atualização dos dados do Termômetro do Código Florestal (TCF), iniciativa construída por organizações da sociedade civil para acompanhar como o Código Florestal vem sendo implementado nos estados e municípios brasileiros.

Os dados, referentes aos anos de 2024 a 2025, ajudam a aprofundar o diagnóstico sobre onde o país avançou e onde seguem os principais obstáculos à aplicação da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012).

Acesse o boletim completo pelo link abaixo.

BOLETIM TERMÔMETRO DO CÓDIGO FLORESTAL 2024

O Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta do Observatório Florestal para acompanhamento da implementação do Código Florestal (Lei nº 12.651, de 2012) nos estados e municípios brasileiros, promovendo a transparência e o controle social por meio da geração de dados e informações qualificadas.

Este boletim traz os principais resultados das análises dos dados do Cadastro Ambiental Rural com números de destaque do país. As informações estão disponíveis para assentamentos, imóveis rurais, territórios tradicionais, biomas e estados brasileiros.

Os dados mais recentes do Termômetro do Código Florestal reforçam a urgência de ações estruturantes para avançar na implementação do Código. Entre 2022 e 2023 o Brasil perdeu 11 milhões de hectares de excedentes (vegetação nativa em propriedades rurais além do exigido por lei) e mais de 17,7 milhões de hectares de remanescente de vegetação nativa. Esse cenário mostra não apenas a pressão contínua sobre os ativos ambientais, mas também a necessidade de fortalecer políticas públicas capazes de reduzir essas perdas.

Plataformas e bancos de dados que contribuem para a redução e reversão da perda de florestas no Brasil

O impacto das atividades humanas com o uso da terra é uma das grandes forças na mudança ambiental global. No Brasil, corresponde à principal fonte de emissões de gases de efeito estufa do país.

Diante dos eventos climáticos extremos, a preservação e a recuperação da vegetação nativa são ações necessárias e urgentes. As grandes extensões florestais e diversidade de biomas do Brasil fazem com que o país tenha um diferencial estratégico, sendo um ator essencial para um movimento de regeneração de todo planeta.

Contudo, a busca pelo equilíbrio ambiental e desenvolvimento social é desafiadora e a geração, sistematização e disponibilização de dados e informações para toda a sociedade brasileira são cruciais para tomadas de decisões justas.

As plataformas apresentadas aqui focam na compreensão e análises de problemas específicos nesse processo. Mas juntas são capazes de fornecer insumos importantes para resolver grandes desafios em prol da promoção do desenvolvimento sustentável, do fim do desmatamento ilegal no país e da restauração da vegetação nativa brasileira.

As ferramentas foram desenvolvidas no âmbito de três projetos financiados pela Norway’s International Climate and Forest Initiative (NICFI).

São eles:

PLANAFLOR: projeto que oferece um plano estratégico de desenvolvimento sustentável com base na implementação do Código Florestal;

PUZZLE: projeto que promove atividades sustentáveis e governança fundiária para mobilizar governos subnacionais no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia;

POLÍTICAS, PRÁTICAS, TRANSPARÊNCIA E GOVERNANÇA PARA IMPLEMENTAR O CÓDIGO FLORESTAL: projeto que gera dados e articula diferentes públicos pela implementação da legislação.

Análise dos acordos das cadeias da soja e carne à luz do Código Florestal

O estudo, desenvolvido pelo Observatório do Código Florestal em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV) e a Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (AdT), analisa como os acordos setoriais têm apoiado, fortalecido ou estimulado a implementação do Código Florestal, principal norma legal para a conservação e uso sustentável das florestas no Brasil.

Revisa iniciativas como a Moratória da Soja, estabelecida em 2006 por traders e organizações da sociedade civil, o Compromisso Público da Pecuária (CPP), firmado em 2009 por frigoríficos após campanha do Greenpeace, e o Protocolo de Monitoramento Voluntário de Fornecedores de Gado no Cerrado, lançado oficialmente em abril de 2024. 

Além disso, aborda o Protocolo Verde de Grãos do Pará, criado em 2014, e os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs da Carne), assinados por empresas com o Ministério Público Federal (MPF) em diversos estados da Amazônia Legal.

Uma das premissas do estudo é que, apesar dos impactos diretos desses acordos na redução do desmatamento ainda não serem totalmente nítidos, eles têm sido fundamentais para manter as empresas engajadas na busca de soluções que desvinculem suas atividades de problemas socioambientais. 

Além disso, essas iniciativas têm potencial para estruturar cadeias de suprimentos mais sustentáveis, onde a regularização ambiental dos fornecedores, em conformidade com o Código Florestal, é um passo crucial.

O estudo também realizou consultas individuais com membros das organizações envolvidas na concepção e implementação dos acordos, buscando aprimorar a análise e sanar dúvidas sobre aspectos operacionais.

Dentre as principais conclusões, a análise mostra que ainda são necessários avanços para garantir uma maior atuação do setor produtivo. O Cadastro Ambiental Rural (CAR), é um dos exemplos destacados pelo estudo. Os acordos voluntários analisados, com exceção da Moratória da Soja, exigem o CAR, mas não necessariamente validado. 

De acordo com o documento, a adesão ao cadastro sem a devida autenticação não é suficiente para avançar na implementação do Código Florestal, sobretudo por se tratar de um dado declaratório. Ou seja, o conteúdo dos cadastros precisa ser validado para que eles se tornem efetivamente uma ferramenta de gestão territorial. 

Uma das soluções apontadas pelo estudo, neste caso, seria restringir os acordos apenas para fornecedores que tenham o CAR devidamente validado.

1º Boletim Termômetro do Código Florestal

O Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta do Observatório do Código Florestal para acompanhamento da implementação do Código Florestal (Lei nº 12.651, de 2012) nos estados e municípios brasileiros, promovendo a transparência e o controle social por meio da geração de dados e informações qualificadas. Este boletim traz os principais resultados das análises dos dados do Cadastro Ambiental Rural com números de destaque do país. As informações estão disponíveis para assentamentos, imóveis rurais, territórios tradicionais, biomas e estados brasileiros.

[Publicação ICV] Considerações sobre os módulos de análise automatizada do Cadastro Ambiental Rural

O processo de análise e validação dos cadastros é um grande desafio para todas as unidades da federação, por conta da grande demanda de análise de imóveis cadastrados, necessidade de profissionais capacitados, além da disponibilidade de bases de dados geográficos em alto nível de detalhe e ferramentas tecnológicas de alto desempenho. Pensando em solucionar este problema e dar celeridade no processo de validação do CAR, foram desenvolvidos módulos de análise automatizada dos cadastros. Esses módulos consistem em ferramentas tecnológicas com algoritmos de processamento específicos para analisar de forma automatizada os dados declarados nos cadastros, tendo por objetivo verificar a conformidade destes com bases de referência de acordo com a legislação ambiental vigente.

Instituições envolvidas: Instituto Centro de Vida (ICV), Ministério Público do Estado de Mato Grosso e Instituto Clima e Sociedade (ICS)

Desafios e oportunidades dos Programas de Regularização Ambiental

Mais de dez anos após o estabelecimento do novo Código Florestal brasileiro (Lei da Proteção da Vegetação Nativa, nº 12.651, de 25 de maio de 2012), sua aplicação ainda apresenta uma série de desafios.

A fim de colaborar na construção de caminhos para a efetividade do Código, entre 2022 e 2023, o Diálogo Florestal promoveu, em parceria com o Observatório do Código Florestal (OCF) e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, com o apoio da Aliança pela Restauração na Amazônia e da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), a segunda edição de uma série de webinários sobre os Programas de Regularização Ambiental (PRAs) e Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e Alteradas (PRADAs) no país.

As discussões englobaram seis estados: Santa Catarina, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Pará – este último estado também integrou a edição anterior da série, realizada em 2021. Esta publicação traz uma síntese dos principais pontos abordados na série, que contemplou, ainda, um webinário sobre o contexto da União.

Os encontros reuniram representantes dos órgãos ambientais responsáveis, de organizações da sociedade civil atuantes na temática, de entidades de ensino, pesquisa e extensão e da iniciativa privada. Ao longo dos debates, foram analisados os principais avanços e desafios para a consolidação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) – primeira etapa necessária para a aplicação do Código – e para a implementação dos PRAs.

Também foram identificadas oportunidades para fortalecer esses processos nos estados e as perspectivas futuras para a continuidade da agenda na visão das organizações participantes.

Dados abertos e meio ambiente: uma avaliação dos planos de dados abertos dos órgãos federais ambientais do Brasil

Esta pesquisa analisa os Planos de Dados Abertos (PDAs) de oito órgãos do Governo Federal que possuem bases ou conjuntos de dados de interesse socioambiental. A análise busca compreender se os PDAs atendem aos critérios da Resolução nº 3/2017 do Comitê Gestor da Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (INDA), que determina as normas sobre elaboração e publicação de PDAs, a partir de um checklist elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU).

Realização: Imaflora e Obseravtório do Código Florestal