[Instituto Humanitas Unisinos] APPs e Reserva Legal: passivo ambiental do Brasil equivale ao tamanho do Uruguai. Entrevista especial com Marcelo Elvira

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos / por:  Patricia Fachin e Cristina Guerini

Mesmo com as alterações do Código Florestal, o país possui quase 19 milhões de hectares a serem recuperados para mitigar impactos dos eventos extremos, assinala o advogado

Com passivo ambiental semelhante ao tamanho do Uruguai, o Brasil precisa recuperar 19 milhões de hectares para começar a enfrentar o desafio da adaptação frente ao novo regime climático, é o que revela Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório do Código Florestal.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, o advogado afirma que “mesmo com os novos parâmetros do Código Florestal, o Brasil possui quase 19 milhões de hectares de passivo ambiental [das Áreas de Preservação Permanente – APPs e Reserva Legal – RL]. É uma área […] que carece de políticas e medidas de recuperação para adequação ambiental dessas propriedades”, pontua.

Especialista em direito ambiental, o entrevistado acentua a relevância da preservação das APPs e RLs frente aos eventos climáticos extremos que estão ocorrendo no país. “Tanto a RL quanto as APPs requerem proteção pois exercem um importante papel no funcionamento e equilíbrio do meio ambiente”, explica. Enquanto “as APPs de beiras de rios ainda têm um papel primordial na proteção das margens e evitam assoreamento e erosão, além de garantirem estabilidade hídrica, geológica e da biodiversidade”, a Reserva Legal “assegura o uso econômico de forma sustentável, também garantido a proteção da biodiversidade e a reabilitação de processos ecológicos”, esclarece.

A preocupação com a proteção das margens dos rios existe desde o Brasil Colônia. “A proteção dessas áreas é tão relevante que foram declaradas propriedades da Coroa na Carta Régia já em 1797”, destaca Marcelo Elvira. “Sua proteção foi prevista pela legislação desde o Código Florestal de 1934, à época chamadas de ‘florestas protectoras’ que tinham, dentre suas funções, a de conservar o regime das águas”, complementa.

Palco da maior tragédia ambiental do país na história recente, o Rio Grande do Sul ainda carece de cuidado no que tange à proteção do entorno dos cursos d’água. “O Termômetro do Código Florestal mostra que o estado possui mais de 387 mil hectares de vegetação nativa ainda a ser recuperada, área equivalente à quase oito vezes o município de Porto Alegre”, exemplifica. “Destes, 256 mil são de reserva legal (RL) e 129 mil são de áreas de preservação permanente (APPs)”, conclui.

Marcelo Marques Spinelli Elvira é formado em direito pela PUC/SP, tem especialização em direito ambiental pela mesma universidade e em cultura de paz pela Universitat Autónoma de Barcelona. É secretário executivo do Observatório do Código Florestal, uma rede de 45 organizações da sociedade civil que monitora a implementação da lei de proteção da vegetação nativa do Brasil (Lei 12.651/2012).

Confira a entrevista completa em: Instituto Humanitas Unisinos

[Agência Brasil] Comissão do Senado aprova projeto que cria Estatuto do Pantanal

Proposta traz regras e princípios para uso e conservação do bioma

Fonte: Agência Brasil / por: Luciano Nascimento

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (3), o projeto de lei que trata do chamado do Estatuto do Pantanal. A proposta apresenta um conjunto de regras para conservação e restauração do bioma, além de estabelecer princípios para o uso do ecossistema, com vistas ao desenvolvimento sustentável e ao respeito às diversidades locais e regionais. A proposição segue para a Câmara dos Deputados, se não for apresentado recurso para análise no plenário do Senado.

Uma das maiores bacias alagáveis do planeta, o bioma está presente nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mais da metade (64,5%) da área total (15.096.107 hectares) localizam–se em Mato Grosso do Sul e enquanto 35,5%, em Mato Grosso.

O Pantanal enfrenta, atualmente, número recorde de queimadas. Investigações apontam que a maioria dos focos é causada pela atividade humana em razão do manejo de fogo em propriedades privadas.

O texto apresentado pelo relator Jayme Campos (União-MT) determina diretrizes gerais para conservação, proteção e a recuperação da vegetação nativa, entre as quais as que tratam do combate e prevenção de incêndios e do manejo integrado do fogo.

Segundo o projeto, as políticas nacionais, estaduais e municipais deverão se pautar pelo incentivo à adoção de práticas agrícolas, pecuárias e silviculturais que visem a reduzir os riscos de incêndios florestais e promover o uso adequado do fogo para manejo da vegetação e para controle do fogo.

O texto também pede valorização das práticas de uso tradicional e adaptativo do fogo por povos indígenas, comunidades tradicionais e do homem pantaneiro para promover o diálogo e a troca entre os conhecimentos tradicionais, científicos e técnicos.

Além disso, a proposta prevê a criação de programas de brigadas de prevenção e combate aos incêndios florestais, a implementação dos planos de manejo integrado do fogo e dos planos operativos para o combate aos incêndios florestais.

Pelo texto do Estatuto do Pantanal, o uso do fogo na vegetação será permitido apenas em práticas agropastoris, queimas prescritas, atividades de pesquisa científica, práticas de prevenção e combate a incêndios, práticas culturais e de agricultura de subsistência por povos indígenas ou tradicionais, e na capacitação de brigadistas.

Entre as diretrizes previstas para as políticas nacionais, estaduais e municipais desse manejo, estão o mapeamento de zonas de risco para incêndio florestal, o monitoramento dos focos de calor por sensoriamento remoto e a criação de programas de brigadas florestais permanentes no combate a incêndios.

O texto trata ainda da necessidade de governança sobre os processos de ocupação territorial e de exploração sustentável dos recursos naturais. Algumas ações previstas  envolvem regularização fundiária, combate a ocupações desordenadas e o incentivo ao Cadastro Ambiental Rural, bem como a necessidade de garantir a promoção dos meios necessários para efetiva participação dos povos indígenas, das comunidades tradicionais, do homem pantaneiro e do setor privado nas instâncias de controle social e nos processos decisórios relacionados a seus direitos e interesses.

Outro ponto do texto estabelece cooperação, gestão descentralizada, integração entre as políticas públicas das três esferas de governo e compartilhamento de ações administrativas, em especial, monitoramento e fiscalização ambientais. Essa cooperação tem assegurada a participação da sociedade civil e dos setores científico, acadêmico e privado.

Além disso, o projeto prevê o pagamento por serviços ambientais e programas de compensação por medidas de conservação.

 

[Valor Econômico] O caminho do Brasil rumo à COP30 depende do Código Florestal

Fonte: Valor Econômico / por: Adnan Demachki

O documento, que estabelece normas para a proteção da vegetação nativa em áreas rurais, é um importante mecanismo para reverter os índices de devastação em biomas como a Amazônia

megabiodiversidade e de uma matriz energética de baixo carbono, acontecerá em Belém, em novembro de 2025. E se o mundo tinha pressa em ver o Brasil voltar aos debates globais sobre a pauta ambiental, isso agora se converteu em grandes expectativas por propostas e resultados de mitigação da emergência climática. E é por isso que não podemos chegar lá sem instituir, na prática, o Código Florestal brasileiro, criado pela Lei 12.651, de 25 de maio de 2012.

O documento estabelece normas para a proteção da vegetação nativa em áreas rurais. Alvo de protestos por parte de movimentos de defesa do meio ambiente ao longo do seu processo de elaboração por ser considerado insuficiente, hoje ele é tido como um importante mecanismo que pode reverter os índices de devastação nos principais biomas brasileiros, como a Amazônia. De lá para cá, mais de 13 milhões de hectares foram desmatados e 12 milhões deixaram de ser restaurados e, ainda assim, as medidas de proteção e preservação previstas no Código Florestal não saíram do papel.

Além de estabelecer as áreas de proteção em imóveis rurais e incluir as Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de Uso Restrito, a lei dispõe sobre mecanismos de controle da exploração florestal para extração de matéria-prima e produção de produtos e prevenção de incêndios.

Para ler a notícia completa acesse Valor Econômico.

Simpósio debaterá a implementação de PRA e PRADAs em Conferência Nacional de Restauração Ecológica

Além de promover o debate, Diálogo Florestal junto com Observatório do Código Florestal e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura lançará publicação 

No próximo dia 11 de julho, das 10h30 às 12h, o Diálogo Florestal realiza, em conjunto com o Observatório do Código Florestal e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, o Simpósio sobre a “Implementação de PRA e PRADAs: lançamento de publicação e debate sobre perspectivas futuras”, que será realizado no Miniauditório 3 do Complexo Multieventos, durante a Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE +10). O evento acontece entre 8 e 12 de julho, nas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

O simpósio abordará a implementação de Programas de Regularização Ambiental (PRAs) e Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e/ou Alteradas (PRADAs) no Brasil, desafios e oportunidades para a governança dos PRA e PRADAs, além das perspectivas futuras para a restauração através dos cumprimentos desses dispositivos do Código Florestal. Na ocasião será lançada também um publicação que traz os debates realizados em seminários online realizados em seis estados brasileiros, entre eles, Santa Catarina, Pernambuco, Pará, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso, além do realizado para o contexto da União. A realização dos seminários online que deram origem à publicação é do Diálogo Florestal em conjunto com o Observatório do Código Florestal e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, e contou com o apoio da Aliança pela Restauração na Amazônia, Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA). A publicação também contou com apoio da BVRio, Planaflor e NICFI (Norway´s International Climate and Forest Initiative).

De acordo com a coordenadora executiva nacional do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues, tanto o lançamento da publicação como o debate previsto para o simpósio são fundamentais para trazer luz ao tema central da conferência “SOBRE + 10, que abordará o Futuro da Restauração”.

“O simpósio pretende discutir desafios e oportunidades na implementação dos PRA no Brasil, a situação atual, a governança da matéria e as perspectivas futuras”, ressalta.

A moderação ficará a cargo de Fernanda Rodrigues (Diálogo Florestal) junto a palestrantes convidados como Rafael Bitante (SOS Mata Atlântica), representando o Observatório do Código Florestal (OCF) e, Marcus Vinicius da Silva Alves, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), e Beto Mesquita (BVRio), representando a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

A Conferência SOBRE +10

A Conferência Brasileira de Restauração Ecológica é promovida a cada dois anos pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), reunindo especialistas e interessados na área de restauração ecológica para discutir e compartilhar conhecimentos e experiências.

Primeira série de webinars

No site do Diálogo Florestal pode ser encontrada a publicação que traz o resultado da primeira série de webinar. A série anterior, realizada em 2021, contou com 10 seminários que passaram por nove estados: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Rondônia, Pará e Mato Grosso do Sul e um último, no contexto da União. A realização foi liderada pelo Diálogo Florestal em parceria com a SOS Mata Atlântica e a Aliança pela Restauração na Amazônia com apoio do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, do Observatório do Código Florestal e da Frente Parlamentar Ambientalista. 

Serviço:

Simpósio “Implementação de PRA e PRADAs: lançamento de publicação e debate sobre perspectivas futuras”

Data: 11/07
Hora: 10:30 às 12:00
Local: Miniauditório 3 – Complexo Multieventos
Conferência: SOBRE +10
Link: Grade de Sessões Simultâneas

Acompanhe a gravação de todos os webinarswww.youtube.com/dialogoflorestal

Sociedade civil organizada, setor produtivo e representantes governamentais debatem status do Código Florestal em audiência pública no Senado Federal  

Análise e validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a implementação do Programa de Regularização Ambiental (PRA) para restauração da vegetação nativa foram as principais pautas da audiência pública sobre o Código Florestal (Lei nº 1.2651/2012) na terça-feira, 18, na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), no Senado Federal.  

O evento idealizado pelo Observatório do Código Florestal (OCF) com apoio da Frente Parlamentar Mista Ambientalista (Fpamb) reuniu gestores governamentais, representantes da sociedade civil organizada, da indústria e do agronegócio a fim de debater status, desafios e oportunidades da legislação que completou doze anos de aprovação em maio.    

Para o deputado e presidente da sessão, Nilto Tatto (PT/SP), é urgente a necessidade de implementação da legislação de proteção da vegetação nativa diante dos efeitos cada dia mais comuns de eventos climáticos extremos.  

“É uma lei que interessa a todos, não só os ambientalistas, mas também o setor produtivo que já vêm sentido os efeitos climáticos por todo o país”, comentou.   

 A senadora Tereza Cristina (PP/MS), integrante da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), reforçou a necessidade de discussões para avanço da lei, cuja elaboração implicou em prolongadas discussões pelo setor legislativo e pela sociedade brasileira  

“A gente precisa ajudar os estados brasileiros a implementarem e analisarem e implementarem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o judiciário também. O Código Florestal é como uma rede, e cada vez que você ataca um pedaço, você desfaz uma célula e vai virando uma colcha de retalhos”, comentou a parlamentar.   

O debate contou com a participação do secretário executivo do Observatório do Código Florestal, Marcelo Marques Spinelli Elvira; da especialista sênior em Políticas Públicas no Observatório do Clima, Suely Araújo; da coordenadora executiva nacional do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues; da especialista em agricultura e sustentabilidade Laura Barcellos Antoniazzi, membro da coordenação da Araticum; e do diretor do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Queimadas do Ministério do Meio Ambiente, Raoni Guerra Lucas Rajão.  

A audiência também contou com as participações do representante da Organização das Cooperativas Brasileira (OCB), Leonardo Papp; do coordenador de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nélson Ananias Filho; do chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Territorial, Gustavo Spadotti Amaral Castro, do pesquisador do mesmo órgão, Felipe Ribeiro; da secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás, Andrea Vulcanis; do gerente de recursos naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Cardoso e da diretora do departamento de florestas da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (MMA), Fabíola Zerbini. 

Os desafios abordados pelos diferentes setores na audiência se concentraram nos dois principais instrumentos inaugurados pela lei aprovada: o Cadastro Ambiental Rural (CAR), inscrição eletrônica que permite a identificação do passivo ambiental, e o Programa de Regularização Ambiental (PRA), mecanismo que visa a implementação dos projetos para recuperação da vegetação nativa desmatada na área rural do país.

CAR: PRIMEIRA ETAPA E DESAFIO 

O secretário Raoni Rajão iniciou a audiência abordando os entraves encontrados na análise e validação do CAR, processo de responsabilidade dos Estados. 

De acordo com dados do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) citados pelo especialista no evento, apenas 1,5% dos cadastros, que somam mais de 7 milhões de inscrições em imóveis privados, tiveram análise concluída. Com a análise iniciada, o número sobe para 29%. 

Para o especialista, a adoção de incentivos econômicos para finalização da análise é uma das ações possíveis para agilizar o processo de análise do CAR. “Muitas vezes o produtor tem algum tipo de receio de responder e finalizar o cadastro, não tem incentivo. Às vezes quem recebe a notificação é um técnico que nem está mais à frente daquela propriedade”, comentou.   

Ao mesmo tempo, uma das questões levantadas na audiência pelos representantes do setor produtivo foram os efeitos da lentidão na análise do cadastro para os produtores rurais.   

O representante da CNA, Nelson Ananias Filho, citou as dificuldades encontradas pelo setor produtivo pela falta de validação do CAR, como acesso a crédito e programas de pagamentos por serviços ambientais.  

Desafios tecnológicos na análise, como a necessidade de automatização de alguns tipos de verificações e a integração de dados, também foram abordados pelos participantes da audiência como necessidades para o avanço na questão.  

A urgência da análise eficaz foi ressaltada pelo secretário executivo do OCF, Marcelo Elvira, que apontou que o CAR sem análise e validação é usado como ferramenta de pressão contra populações indígenas e tradicionais de seus territórios, além de grilagem pela invasão de florestas públicas não destinadas.   

O advogado citou um levantamento realizado pelo OCF no Amazonas, estado responsável por mais de 90% das sobreposições de CAR em florestas públicas não destinadas do país, de acordo com dados do Termômetro do Código Florestal (TCF). 

Iniciativa do OCF liderada pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), o Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta digital que promove a transparência de dados da implementação da legislação de proteção da vegetação nativa no país. 

Pela plataforma é possível checar o cumprimento dos principais instrumentos da lei, como o cadastramento no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), o remanescente de vegetação nativa e os passivos de Reserva Legal (RL) e Área de Proteção Permanente (APP) nos estados e municípios. A ferramenta foi apresentada na audiência pela pesquisadora do Ipam, Jarlene Gomes.  

“Temos um desafio grande com o tanto de área que precisa ser recuperada no Brasil”, comentou a especialista. A plataforma mostra um passivo ambiental de RL e APP de 19 milhões de hectares. 

Uma análise detalhada do OCF com base em um levantamento do Termômetro referentes ao período de 2022 a 2023 mostrou que o Amazonas registrou, entre janeiro de 2022 e maio de 2023, um aumento significativo de 65% na área cadastrada no estado. O número refere-se a cerca de 8 mil novos cadastros no período.  

Dos mais de oito mil cadastros, apenas 597 são responsáveis por boa parte da área cadastrada. O número refere-se aos grandes imóveis rurais, ou seja, que contabilizam mais de 15 módulos fiscais. No Amazonas, cada módulo fiscal pode chegar a 110 hectares.  

Mais da metade desses imóveis grandes, 77% (458, ao total) são imóveis privados sobrepostos a unidades de conservação (UCs), terras indígenas (TIs) e florestas públicas não destinadas, o que torna a situação dos cadastros irregular.   

 A sobreposição indica um grave problema nos registros do CAR, uma vez que essas terras não são passíveis de validação no cadastro.  

No levantamento realizado, 89% dos cadastros constavam como ativos, 5% pendentes e 6% suspensos. Os graus de sobreposição variam, mas 53 dos cadastros de imóveis grandes em UCs registram 100% de sua área sobreposta. No caso das TIs, três cadastros também contabilizaram cobertura completa na área protegida por lei.  

Ainda, se o número de cadastros é grande para imóveis rurais e a necessidade é de análise e validação, os assentamentos e comunidades quilombolas e tradicionais enfrentam situação diferente quando o assunto é CAR: o cadastramento.  

Em sua fala, Marcelo relembrou a falta de avanço no cadastramento do módulo CAR PCTs, que conta com pouco mais de 3 mil inscrições em mais de uma década de aprovação da lei.  

RESTAURAÇÃO: UMA URGÊNCIA (POSSÍVEL) FRENTE A CRISE CLIMÀTICA  

Se a primeira etapa da lei enfrenta desafios significativos, a regularização ambiental por meio da recuperação e restauração da vegetação nativa ainda parece distante da realidade do país, mas cada dia mais urgente. 

Os representantes das organizações da sociedade civil foram unânimes na avaliação do papel da restauração para a mitigação dos efeitos da crise climática. 

A representante do Observatório do Clima, Suely Araújo, lembrou que, no Brasil, o uso da terra responde por 48% da emissão de gases de efeito estufa do país, o que dá peso à necessidade de proteção da vegetação nativa pelo combate ao desmatamento e pela restauração. 

Os Programas de Regularização Ambiental (PRA), segunda etapa de implementação da lei, carecem de devida implementação e funcionamento por boa parte dos estados brasileiros. 

Apesar disso, a coordenadora do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues, ressaltou a necessidade de avanços e amadurecimento nos desafios do PRA independentemente da análise do CAR.  

“Já temos estados implementando e com iniciativas interessantes”, disse. Entre os desafios colocados pela especialista, está a necessidade de aprimoramento de ferramentas de monitoramento de acompanhamento da recuperação das áreas. 

Trazendo a experiência da Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), Laura mostrou que existe um preparo de conhecimentos, saberes e ferramentas que torna a restauração possível, mas falta incentivo político.  

“A experiência tá aí pra mostrar que é possível restaurar os milhões de hectares que o Brasil e o mundo precisam”, disse. 

Já a secretária Fabíola Zerbini, no início da exposição, abordou outras políticas públicas que atuam como impulsionadoras da lei ao lembrar que a meta estabelecida de recuperação de 12 milhões de hectares de vegetação nativa do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foi delimitada com base no passivo ambiental de áreas de APPs e RL, identificado à época da elaboração e aprovação do plano, em 2015.   

O tamanho da área também é a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, em português) do país. As NDCs são metas climáticas voluntárias estabelecidas por países para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e contribuir para a estabilização do aquecimento global. Essas metas são definidas nacionalmente e são registradas publicamente pelo sistema da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC). 

“Todo arcabouço estratégico e político desse plano vem para ajudar os produtores, estados e governo a fazer essa grande concertação da implementação do Código Florestal”, comentou a especialista. 

PROTEÇÃO DA LEGISLAÇÃO 

Marcelo Elvira ainda enfatizou a importância da implementação da lei e descartou a necessidade imediata de alterações para aprimoramento.  

De acordo com o especialista, a ênfase deve estar na aplicação efetiva das regras atuais, com um foco na transparência de dados, validação do CAR, implementação do PRA, fortalecimento das estruturas de fiscalização e apoio técnico. 

“A legislação é robusta, o que precisamos é de recursos, vontade e direcionamento para enfrentar os desafios”, comentou.  

Os especialistas citaram as recentes tentativas de flexibilizações do Código que avançam no Congresso Nacional. 

“Não vai ser por um PL que muda a proteção da Reserva Legal na Amazônia que a gente vai conseguir implementar o Código, nem por uma lei que vai mudar o regramento sobre área de preservação permanente para permitir barramento que vai facilitar a implementação”, comentou ao se referir ao o projeto de lei (PL) 3334/2023, que reduz a área de Reserva Legal (RL) em áreas de florestas da Amazônia Legal de 80% para 50%, e o 2168/2021, que flexibiliza a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs). 

Suely também citou as medidas como parte do chamado Pacote da Destruição, conjunto de leis que preveem flexibilizações no regramento ambiental do país. “E que nos coloca sob risco diante da situação emergencial que vivemos”, comentou.  

Texto: Júlia Beatriz Oliveira / Apoio: Anna Francischini

[Encerrada] Chamada aberta para produção e edição de vídeo tutorial sobre a plataforma digital

O Observatório do Código Florestal (OCF) e a Amigos da Terra – Amazônia Brasileira estão em busca de uma pessoa jurídica para prestação de serviços de produção e edição de vídeo tutorial sobre a plataforma digital “Termômetro do Código Florestal”.

As propostas deverão ser enviadas com o assunto: “PRODUÇÃO DE VÍDEO TUTORIAL TERMÔMETRO DO CÓDIGO FLORESTAL – Nome da pessoa jurídica”, para o e-mail contato@observatorioflorestal.org.br; 

  • A proposta deve incluir: (1) CV/portfolio para comprovação da experiência exigida; (2) proposta comercial.  
  • Data limite para envio: 30/06/2024: Envios após esta data não serão considerados; 
  • A seleção será baseada em processo de pontuação, considerando preço e experiência.  
  • A contratada será informada por e-mail. 

Dúvidas sobre o processo seletivo poderão ser enviadas para o e-mail: contato@observatorioflorestal.org.br 

Código Florestal é tema de audiência pública no Senado Federal

Evento acontecerá na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas no Senado Federal na próxima terça-feira (18)

Os mais de 19 milhões de hectares de vegetação nativa a serem restaurados no Brasil de acordo com a legislação brasileira representam um dos desafios que devem ser abordados por uma audiência pública na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) do Senado Federal na próxima terça-feira, 18. Os dados são do Termômetro do Código Florestal

O evento reunirá especialistas da comunidade científica e da sociedade civil organizada, além de representantes de órgãos ligados ao setor produtivo e do governo federal.

Dentre os convidados, participarão Suely Araujo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima; Laura Barcellos Antoniazzi, pesquisadora sênior e sócia da Agroicone e coordenadora da Araticum; Fernanda Rodrigues, coordenadora executiva do Diálogo Florestal; Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório do Código Florestal e Jarlene Gomes, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam).

A audiência pública tem como objetivo promover discussões sobre os desafios e atual estágio da implementação do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) no país, que completou doze anos de aprovação em maio e ainda carece de avanços para sua total implementação.

Idealizada pelo Observatório do Código Florestal (OCF) com apoio da Frente Parlamentar Mista Ambientalista (FPAmb) e da CMMC, a audiência foi motivada também pela urgência da aplicação da lei como meio de adaptação e mitigação dos efeitos da crise climática, cada vez mais urgentes no país que sofre eventos extremos desoladores como o Rio Grande do Sul.

“O Código atua como um instrumento que ajuda de forma significativa na adaptação e mitigação desses efeitos”, comenta Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório.

A vegetação nativa tem um papel de reguladora do clima local, capaz de amenizar efeitos de eventos extremos, além de promover a mitigação por meio do sequestro de carbono. 

O evento reunirá especialistas da comunidade científica e da sociedade civil organizada, além de representantes de órgãos ligados ao setor produtivo e do Governo Federal.

Apesar dos avanços na primeira etapa da lei para imóveis rurais privados, categoria que soma mais de 7,1 milhões de inscrições no Cadastro Ambiental Rural (CAR) de acordo com dados do último boletim do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), a análise e validação dos cadastros ainda enfrentam desafios significativos com uma porcentagem mínima validada. 

A lentidão na análise impacta diretamente a segunda etapa da lei, que deve promover a regularização ambiental de imóveis rurais com déficit ambiental por meio da restauração de vegetação nativa por meio do Programa de Regularização Ambiental (PRA), tema que deve ser abordado na audiência. 

“A lei propõe soluções possíveis para o cenário que estamos vivendo. Uma delas é a restauração da vegetação nativa, por isso a urgência de sua implementação”, complementa Marcelo, especialista em direito ambiental. 

A audiência ainda deve tratar dos impactos na conservação da biodiversidade, o potencial econômico e de geração de empregos e a contribuição da lei para a segurança alimentar, hídrica e energética da população brasileira.  

Serviço

O evento acontecerá  no Plenário nº3, na Ala Senador Alexandre Costa, Anexo II do Senado Federal às 14h (horário de BSB) e será transmitido ao vivo pelo Youtube da TV Senado.  

Nota Técnica Museu Goeldi: A realidade da Reserva Legal na Amazônia e o Projeto de Lei (PL) 3.334/2023


A importância da Reserva Legal

A nota técnica versa sobre a importância da Reserva Legal se posicionando contra o PL 3334/2023, argumentando que o instrumento não impõe restrições severas ao uso da terra para atividades produtivas, como agricultura e pecuária, dado que a legislação em vigor já proporciona uma flexibilidade considerável na aplicação do percentual de reserva legal na região. Considerando ainda que esse retrocesso socioambiental significativo ocorra em um momento de crise climática, isso só agravaria o quadro de degradação ambiental e vulnerabilidade climática na Amazônia

[Folha de S. Paulo] Código Florestal protege a vegetação nativa e as nossas vidas

Fonte: Folha de S. Paulo / por: Beto Mesquita e Cristina Leme Lopes

Preservação ou recuperação pode amenizar impacto de novas catástrofes

A Lei de Proteção da Vegetação Nativa, conhecida como Código Florestal, completou 12 anos no último dia 25 de maio. Embora seja fundamental para mitigar os impactos de eventos climáticos extremos e de ter estabelecido as condições para a regularização ambiental no campo, ainda não foi posta em prática integralmente. Parte dos reflexos desse quadro puderam ser vistos na tragédia do Rio Grande do Sul.

Os quase 400 mil hectares de déficit de vegetação nativa mapeados no estado —área equivalente a oito vezes a de Porto Alegre— não teriam impedido as enchentes, mas certamente reduziriam o volume e a velocidade das águas. Ou seja, se a vegetação nativa tivesse sido protegida ou recuperada, como prevê o Código Florestal, em especial as “áreas de preservação permanente”, os prejuízos materiais e humanos teriam sido menores.

Para ler o artigo completo, acesse Folha de S. Paulo

Código Florestal completa 12 anos com desafios para implementação e tentativas de ataques no Congresso Nacional 

Área equivalente ao tamanho do Uruguai, são mais de 19 milhões de hectares de passivo de vegetação nativa a ser recuperado no Brasil dentro de imóveis rurais nos termos do Código Florestal.  

Os dados são do Termômetro do Código Florestal (TCF), iniciativa do Observatório do Código Florestal que demonstra o grau de implementação da legislação federal em todo o território brasileiro. Enquanto isso, projetos de lei que flexibilizam a lei avançam na tramitação no Congresso Nacional.  

Esse é o cenário que enfrenta a implementação do Código Florestal (Lei 12.651/2012), legislação aprovada em 25 de maio de 2012 e que completa doze anos com desafios significativos. 

A primeira etapa da lei para a regularização ambiental, a inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), teve avanços expressivos. De acordo com boletim do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) de outubro de 2023, o último divulgado, a área cadastrada no território brasileiro chega a 671 milhões de hectares.  

Mas esse número tem um gargalo expressivo para parte da sociedade rural brasileira. 

ACESSO DIFICULTADO A COMUNIDADES TRADICIONAIS E QUILOMBOLAS 

A maior parte dos cadastros (7,1 milhões) é de imóveis rurais privados, seguido pelos assentamentos rurais, com apenas 16 mil cadastros e, pelas comunidades quilombolas e tradicionais, com pouco mais de 3 mil cadastros, número considerado baixíssimo.  

Comunidades tradicionais e quilombolas ainda não conseguem ou têm significativa dificuldade de garantir o reconhecimento na política pública e regularização ambiental de suas áreas por meio da inscrição no CAR PCT, o módulo direcionado a povos e comunidades tradicionais (PCTs).  

“Não teve nenhum avanço. A própria legislação diz que o Estado deve apoiar e fomentar o cadastro para os povos e comunidades tradicionais, algo que não acontece. A mudança no número de cadastros quilombolas é irrisória”, avalia Milene Maia, coordenadora do Programa de Política e Direito Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA).  

Enquanto isso, as sobreposições de inscrições de imóveis rurais privados, cujo número é crescente, seguem sendo usadas como instrumentos de pressão territorial e violência no campo.  

“Quem se sobrepõe a territórios quilombolas também acaba utilizando isso para acessar políticas públicas”, comenta, ao ressaltar a falta de apoio estatal no apoio para o cadastramento das comunidades quilombolas. “Assim as comunidades ficam invisíveis.” 

Dados do Termômetro do Código Florestal mostram sobreposições de cadastros de imóveis rurais em 51 milhões de hectares. Já áreas cadastradas como PCTs somam 38 milhões da área cadastrada de PCTs e assentamentos rurais, 14 milhões. 

FALTA DE AVANÇOS NA ANÁLISE E GARGALO NA RESTAURAÇÃO 

Para resolver as sobreposições, é preciso análise dos cadastros. Mesmo para os imóveis rurais privados, que atualmente somam mais de 7 milhões de cadastros, a legislação ainda enfrenta o desafio dessa avaliação, também responsabilidade dos governos estaduais. 

“O primeiro desafio é avançar na análise e validação das informações declaradas, o que tem gerado incertezas para os proprietários rurais e dificultado o acesso a benefícios e oportunidade nas demais etapas de regularização ambiental”, explica Jarlene Gomes, pesquisadora do Ipam Amazônia. 

Na fase de restauração e recuperação, ou seja, a segunda etapa após análise do CAR, o Programa de Regularização Ambiental (PRA) exige um projeto de recuperação e restauração de eventual passivo de vegetação identificado na primeira.  

Tanto a RL quanto as APPs, as duas principais categorias de vegetação nativa protegidas pela lei, requerem proteção pois exercem um importante papel no funcionamento e equilíbrio do meio ambiente. 

Os programas, também de responsabilidade dos Estados, entretanto, carecem de devida implementação e funcionamento. É isso o que mostra o Portal de Monitoramento do Código Florestal, iniciativa do OCF liderada pela BVRio.  

O monitor mostra que seis estados (RN, PB, GO, RS, ES e SE) não possuem regulamentação; onze possuem regulamentação, mas sem adesão de imóveis rurais (AM, RR, AP, MA, TO, PI, CE, PE, RJ, PR e SC) e apenas nove estados e o distrito federal possuem PRA regulamentado com adesão de imóveis rurais em andamento (PA, MT, RO, AC, MS, SP, MG, BA e AL). 

FLEXIBILIZAÇÕES NO CONGRESSO NACIONAL 

Além disso, em junho de 2023, o prazo de adesão dos produtores rurais ao PRA foi mais uma vez adiado por meio da aprovação da lei 14.595/2023.  

Agora, o prazo depende da conclusão da análise, processo que já é um gargalo para os estados, e ainda de uma posterior notificação do órgão ambiental para regularização do imóvel. 

Enquanto a legislação carece de esforço para regulamentação dos artigos e consolidação de mecanismo para implementação, o Congresso Nacional ainda empreita uma série de ataques à legislação por meio do avanço na tramitação de projetos que flexibilizam regras e desprotegem a vegetação nativa no país, cujos efeitos são bem demonstrados pelas enchentes recentes no Rio Grande do Sul. 

“Quanto mais o Código Florestal estiver implementado nessas áreas, maior a capacidade do ecossistema reagir positivamente a eventos extremos”, comenta Marcelo Elvira, assessor em advocacy e políticas públicas do Observatório do Código Florestal. 

“O que chama atenção, é que mesmo com todos as vantagens de implementação do código e os malefícios pela não implementação, o congresso brasileiro ainda insiste na flexibilização e fragilização da Lei”, comenta Jarlene. 

Enquanto o projeto de lei 2168/2021, que ataca áreas de preservação permanente (APPs) é pautado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados o projeto de lei 364/2019, que coloca sob desproteção mais de 48 milhões de hectares de vegetação nativa em todo o país, foi aprovado em março desse ano na mesma comissão e aguarda encaminhamento de recurso para apreciação no plenário da Câmara.   

Já no Senado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve votar a qualquer momento o projeto de lei 3334/2023, que pretende reduzir de reduzir de 80 para 50% a área de reserva legal em municípios e estados da Amazônia Legal. 

INTENSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO 

Jarlene também ressalta que é necessário maior esforço de capacidade operacional e estratégia para conciliar produtividade com proteção ambiental.  

Isso resultaria em diminuição de pressão, ou seja, desmatamento, em áreas protegidas pela lei. 

“O aumento da pressão do mercado consumidor por uma transição das cadeias produtivas em prol da sustentabilidade necessita do avanço da implementação da lei e estímulo aos esforços que promovam a intensificação produtiva em áreas já abertas, além da recuperação de áreas degradadas”, comenta.  

O pecuarista Mauro Lúcio Costa é caso de sucesso nisso.  

“Os políticos que falam que precisa abrir mais áreas para a produção e para gerar empregos estão dizendo uma família. O problema não é a falta de área aberta, e sim áreas produzindo melhor, com mais eficiência”, comenta o produtor, que trabalha com pecuária intensiva, ou seja, sem necessidade de desmatamento, há mais de 20 anos.