Evento com café da manhã debate desafios de cumprimento do Código Florestal em Mambaí, Goiás 

Evento de escuta e diálogo com produtores e técnicos rurais vai debater desafios e soluções para a proteção da vegetação nativa alinhada à produtividade agrícola no Cerrado 

Debater os desafios no cumprimento da legislação de proteção da vegetação nativa é o tema do “Café da Manhã sobre o Código Florestal”, evento organizado pelo Observatório do Código Florestal (OCF) no próximo dia 3, terça-feira. Voltado a técnicos e produtores rurais, o café da manhã é aberto ao público e será oferecido de forma gratuita na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição.  

A reunião é uma oportunidade para que produtores rurais, assentados, comunidades tradicionais e técnicos rurais compartilhem a experiência sobre a lei de proteção da vegetação nativa (Lei nº 12.651/2012) na região, localizada no Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil.  

O secretário executivo do OCF, Marcelo Elvira, ressalta a importância do diálogo entre atores para conservação do bioma, tão importante para a qualidade de vida do país.  

“O bioma é essencial para a garantia do desenvolvimento econômico, saúde, segurança hídrica, alimentar e energética, bem-estar e outros aspectos da sociedade brasileira por ser um bioma fonte importante de recursos naturais”, comenta.  

O Cerrado é responsável por fornecer água para diversas regiões do país, pois é nele que nascem rios de diferentes bacias hidrográficas, como a Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata. Além disso, desempenha um papel crucial na regulação do clima ao atuar como sumidouro de carbono e influenciar padrões de chuva em outras regiões. 

“Por isso precisamos entender as dificuldades de cumprimento da legislação ambiental e necessidades dos produtores rurais e de quem está no campo para garantir a implementação da lei, tão importante em tempos de crise climática”, comenta Marcelo sobre os efeitos da crise climática que também impactam severamente a produção agrícola na região.  “O Código Florestal é visto como um caminho para garantir a coexistência entre a produção rural a médio e longo prazo e a conservação do Cerrado”, complementa. 

DESAFIOS E OPORTUNIDADES NA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 

Segundo dados do Termômetro do Código Florestal, o Cerrado concentra 3,9 milhões de hectares de passivo ambiental em imóveis rurais, somados os déficits de reserva legal (RL) e áreas de preservação permanente (APPs). 

Ainda de acordo com dados do Termômetro, em Goiás, o número de hectares de passivo ambiental chega a 601 mil hectares de reserva legal (RL) e 192,1 mil hectares de áreas de preservação permanente (APPs) em imóveis rurais.  

No bioma, o Código Florestal prevê a obrigatoriedade de 20% da área do imóvel rural como reserva legal, ou seja, área protegida. O índice é considerado baixo em comparação a outros biomas como a Amazônia, cuja reserva legal em imóveis rurais privados chega a 80%. 

Nos últimos anos, o estado avançou nas inscrições do Cadastro Ambiental Rural (CAR), primeira etapa de implementação da lei.   

O estado já conta com mais de 208 mil cadastros, que somam mais de 33 milhões de hectares de área cadastrada, além de 66% de solicitações de adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) do estado. Os dados são do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).   

Apesar do avanço no cadastramento de imóveis rurais privados, que representam a maior parte do total, assentamentos ainda contam com apenas 1,1 mil cadastros e territórios de povos e comunidades tradicionais têm apenas 19.  

O número de cadastros analisados ainda também é baixo, com apenas 59 mil dos cadastros com algum nível de análise. 

Conforme previsto pela legislação, o avanço nessa implementação permitirá não apenas a restauração e proteção da vegetação nativa, mas também uma série de benefícios e ganhos para as comunidades tradicionais, os assentamentos e os produtores rurais. Acesso a Programas de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), Cotas de Reserva Ambiental (CRA) e manejo sustentável em reserva legal são alguns dos benefícios previstos pela legislação que podem se consolidar como aumento da qualidade de vida para quem vive na área rural do país.   

EXPEDIÇÃO CERRADO 

A atividade faz parte da Expedição Cerrado, uma viagem realizada pelo Observatório do Código Florestal (OCF) de 2 a 13 de setembro pelos estados de Goiás, Bahia e Minas Gerais, com o objetivo de conhecer o território, entender dificuldades da proteção e restauração do Cerrado como forma de elaborar uma estratégia de atuação da rede no bioma. 

SERVIÇO 

O que: Café da Manhã sobre o Código Florestal 
Quando: 03 de setembro de 2024 
Onde: Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição 
Horário: Das 9h às 13h

SOBRE O OBSERVATÓRIO DO CÓDIGO FLORESTAL

Rede de 45 entidades ligadas à questão ambiental criada com objetivo de monitorar a implementação da Lei Florestal, defender a vegetação e a produção sustentável no país. 

Telefone para contato: (92) 98427-8828 // julia.oliveira@observatorioflorestal.org.br

Observatório do Código Florestal realiza expedição pelo Cerrado

Rede percorrerá regiões de Goiás, Bahia e Minas Gerais em agendas para debater a proteção do bioma

Entre os dias 2 e 13 de setembro, o Observatório do Código Florestal (OCF) realiza a “Expedição Cerrado” com o objetivo de conhecer e contribuir pela proteção de um dos biomas mais importantes e também mais devastados do país.  

O trajeto sairá do Distrito Federal e passará pelos estados de Goiás, Bahia e Minas Gerais. A iniciativa tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre o território e compreender as dificuldades na proteção e restauração do Cerrado a fim de elaborar uma estratégia de atuação para a conservação deste bioma crucial, especialmente por meio da implementação da lei de proteção da vegetação nativa (Lei nº 12.651/2012), conhecida como o Código Florestal. 

Em 2023, o Cerrado se destacou como o bioma mais devastado do Brasil, com uma perda significativa de 1,1 milhão de hectares de vegetação nativa, o que simboliza um aumento de 67,7% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).  

Neste ano de 2024, o SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado) desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) já computou cerca de 350 mil hectares de desmatamento da vegetação nativa no bioma. 

Durante a expedição, os integrantes do Observatório visitarão áreas impactadas pelo desmatamento e pela degradação ambiental, projetos de restauração de vegetação nativa e manejo integrado de fogo.  

Também será realizada a escuta a especialistas, técnicos, membros da sociedade civil organizada, produtores rurais, assentados e povos e comunidades tradicionais a fim de desenvolver abordagens integradas que possam fortalecer a implementação do Código Florestal e outras políticas públicas voltadas para a proteção do bioma.  

Além disso, o OCF organizará dois eventos para debater a proteção do bioma e os desafios e as oportunidades para a proteção do Cerrado por meio da implementação do Código Florestal 

O primeiro será no dia 3 de setembro no município de Mambaí (GO). O “Café da Manhã sobre o Código Florestal” será uma oportunidade de compartilhamento de experiências sobre a legislação ambiental na região por produtores rurais, assentados, comunidades tradicionais e técnicos rurais. 

Já no dia 5 de setembro, conhecido como Dia da Amazônia, a Câmara Municipal de Barreiras (BA) deve receber o evento “O Cerrado que Queremos”, ato que discutirá a importância da proteção do bioma, a partir de uma análise de dificuldades e oportunidades, destacando a importância do Cerrado como provedor de recursos hídricos para todos os biomas do país e a necessidade urgente de sua proteção dada a pressão sofrida pelo território com o avanço de atividades com alto nível de degradação ambiental. 

No dia 10 de setembro, ainda, em Montes Claros (MG), o Observatório irá realizar uma oficina sobre Cadastro Ambiental Rural (CAR) para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) no VII Colóquio Internacional Povos de Comunidades Tradicionais.

O Cerrado é responsável por fornecer água para diversas regiões do país, e abriga as nascentes de rios de diferentes bacias hidrográficas, como a Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata.  Além disso, desempenha um papel crucial na regulação do clima ao atuar como sumidouro de carbono e influenciar padrões de chuva em outras regiões. 

“Essa expedição toma uma importância crucial diante do cenário de degradação enfrentado por um bioma extremamente importante para o país”, comenta Marcelo Elvira, secretário executivo do OCF.  

Sobre o Observatório do Código Florestal 

Rede de 45 entidades ligadas à questão ambiental criada com objetivo de monitorar a implementação da Lei Florestal, defender a vegetação e a produção sustentável no país.