Reserva Legal: conservação da floresta e geração de renda

Reserva Legal: conservação da floresta e geração de renda

É permitido fazer a exploração econômica da Reserva Legal através do manejo florestal sustentável, uma estratégia eficaz de conservação e combate ao desmatamento que cria oportunidades de negócios e contribui para a melhoria da qualidade de vida na Amazônia.  

Descubra como essa atividade pode beneficiar tanto o meio ambiente quanto as comunidades locais: 

É importante destacar que na Reserva Legal é permitido fazer o manejo sustentável dos recursos da floresta em consonância com a legislação vigente que prevê o uso comercial de produtos como a madeira, mediante autorização do órgão competente, desde que a realização da atividade, entre outras coisas: não prejudique a conservação da vegetação nativa da área; assegure a manutenção da diversidade das espécies e favoreça a regeneração de espécies nativas. Mas enfrentamos diversos desafios para a execução do manejo florestal sustentável na Amazônia, como a falta de políticas de incentivo adequadas, monitoramento insuficiente, carência de assistência técnica e conflitos de interesses. 

 Como superar esses obstáculos? 

A criação de redes colaborativas de manejadores, intercâmbio de conhecimentos e estruturação de arranjos produtivos locais estão no centro das ações com potencial de fortalecer o manejo sustentável da floresta e superar boa parte desses desafios. 

A ação de forma cooperativa pode estruturar a rede de clientes e fornecedores, viabilizar o acesso a recursos humanos, capacitação de mão-de-obra qualificada e inovação tecnológica, garantir a disponibilidade de matérias-primas específicas e infraestruturas necessárias, permitir baixos custos de transação e comunicação devido à proximidade geográfica, entre outros fatores.  

O estado do Pará é um dos maiores desmatadores da Amazônia Legal e tem alto potencial para o manejo florestal comunitário de acordo com os especialistas da região que compõe o Coletivo Florestal da Amazônia – CAF e recomendam, por exemplo: 

A criação e fortalecimento de políticas públicas direcionadas ao Manejo Florestal Comunitário e Familiar com a construção de Centros de Referência em Manejo Florestal para capacitação em massa;  

A estruturação e assessoramento de rede colaborativa de produtores familiares organizados em associações e/ou cooperativas;  

A realização de intercâmbio de saberes e articulação de arranjos produtivos locais para o manejo de uso múltiplo de espécies (madeireiras e não-madeireiras).  

Estas e outras contribuições para políticas públicas são apresentadas no documento denominado 13 Ações Estratégicas para o Fortalecimento e Avanço da pauta Florestal no Contexto da Sociobioeconomia com foco em Manejo Florestal Comunitário no Estado do Pará” que foi entregue pelo às autoridades presentes nos “Diálogos Amazônicos”, evento que antecedeu à Cúpula da Amazônia entre os dias 4 e 6 de agosto de 2023 e reuniu em Belém-PA um conjunto de iniciativas da sociedade civil organizada com o objetivo de pautar a formulação de novas estratégias para a região.  

O Observatório do Código Florestal está trabalhando para a construção colaborativa que permita o manejo florestal sustentável no estado por meio de ações de cooperação. Para isso, está desenvolvendo o seguinte: 

  • Entrevistas com produtores, empresas e atores envolvidos para identificação de gargalos e entendimento de contexto do estado; 
  • Identificação de áreas potenciais de manejo com excedentes de Reserva Legal e que atendam a critérios necessários para formação de um arranjo produtivo local ou cluster florestal;
  • Sensibilização e articulação junto a proprietários rurais, setor privado e representantes do governo estadual e federal sobre as possibilidades e potencialidades do Manejo Florestal Sustentável (MFS) na utilização da Reserva Legal, visando à conservação ambiental e ao desenvolvimento econômico sustentável.

Saiba mais sobre o documento elaborado pelo Coletivo Florestal da Amazônia-CAF.

1° CARTA DO COLETIVO DE PROFISSIONAIS DA ENGENHARIA FLORESTAL DO ESTADO DO PARÁ

1° CARTA DO COLETIVO DE PROFISSIONAIS DA ENGENHARIA FLORESTAL DO ESTADO DO PARÁ

13 Ações Estratégicas para o Fortalecimento e Avanço da Pauta Florestal no Contexto da Sociobioeconomia, com foco em Manejo Florestal Comunitário no Estado do Pará

Engenheiros e Engenheiras Florestais que atuam em todas as regiões do Estado do Pará, em um movimento legítimo e construtivo, tornam pública esta carta a quem interessar possa, com o objetivo de apresentar propostas estratégicas para o fortalecimento e avanço do Manejo Florestal Comunitário no Contexto da Sociobioeconomia. Tais propostas foram elaboradas e qualificadas de forma coletiva, a partir da vivência profissional , dialogando com os produtores produtoras familiares em diferentes realidades locais do território paraense.

Assim, considerando:

– As dificuldades e limitações impostas ao manejo florestal comunitário e familiar, que fragilizam assentados da reforma agrária e povos e comunidades tradicionais quanto ao uso comum, governança dos recursos naturais e geração de renda e trabalho na Amazônia Paraense. A frase lírica porém realista “Não posso mais usar metáforas nem meias palavras. Essa floresta vai secar” do poeta Amazônida Thiago de Mello;

– Que nós, Engenheiros e Engenheiras Florestais de todos os cantos do Estado do Pará dizemos hoje e sempre, na esperança de que a sociedade perceba que, desapartados da natureza, jamais poderemos alcançar um projeto de desenvolvimento que faça nosso povo feliz; Que acreditamos na importância e necessidade da organização e articulação política como oportunidade de construir nossa história por nossas próprias mãos, considerando a luta dos povos das florestas e das águas, e aproveitando o momento que foi conquistado por nós, povo brasileiro, onde temos um governo comprometido com nossas pautas históricas, estamos aqui não tão somente para nos comprometer e nos dedicar para a (re)construção do Brasil;

– Que desejamos defender a centralidade da Amazônia na política de desenvolvimento do país, valorizando o que temos de melhor em nossa região, nossa rica sociobiodiverdade, florestas, rios e pessoas, que faz dessa terra sua morada e compreendendo que nossa gente é a primeira e a mais interessada no debate sobre a floresta em pé, viva e produtiva.

Acesse a carta na íntegra: Carta do coletivo de profissionais da engenharia florestal do PA